A Camil publicou os dados e resultados do primeiro trimestre de 2020, com data de fechamento em 31-mai-20.   Destaques dos números consolidados comparados ao 1T19 exceto quando mencionado diferente:

  • Receita líquida de R$ 1,7 bilhão (aumento de 40%)
  • Lucro Bruto de R$ 414 milhões (aumento de 44%)
  • Margem Bruta de 23,9% (versus 23,2%)
  • EBITDA de R$ 197 milhões (aumento de 137%)
  • Margem EBITDA de 11,4% (versus 6,7%)
  • Lucro Líquido de R$ 109,5 milhões (aumento de 120%)
  • Patrimônio Líquido de R$ 2,6 bilhões fundeando 35% dos Ativos Totais
  • Disponibilidades Financeiras (Caixa e Aplicações) de R$ 1,8 bilhão (aumento de 224% em comparação ao 4T19)
  • Dívida Líquida Total de R$ 1,2 bilhão (aumento de 15,8% em relação ao 4T19)
  • Alavancagem “Divida Líquida / Ebitda ” de2,2 x (versus 2,3x no 4T19)
  • Liquidez Corrente de 1,6 x (versus 2,2 x no 4T19)

De uma empresa que comercializa alimentos do dia a dia não se pode esperar retornos espetaculares.  Por outro lado, com produtos com demanda “garantida”, as vendas tem maior resiliência.  Os resultados da Camil tem baixa probabilidade de oscilações exageradas, o que traz uma característica defensiva às ações da Camil.

Os primeiros meses de 2020 foram muito positivos para a Camil.  Muita coisa deu certo:  Uma maior demanda mundial por alimentos, mais refeições sendo preparadas em casa por causa do distanciamento social e o Dolar subindo.  Os preços dos grãos são bastante correlacionados ao Dolar.  Dependendo da gestão de estoques esse movimento beneficia a empresa.  As receitas cresceram em R$ e  também as condições de mercado permitiram um maior repasse do aumento dos custos.  Com isso as margens subiram e a geração de caixa (EBITDA) foi expressiva. 

Em termos de capital de giro, como é normal nos primeiros trimestres de cada ano, a Camil formou os Estoques a serem consumidos ao longo do ano, o que trouxe um desencaixe de R$ 815 milhões.

As Contas a Receber, também se elevaram por conta das negociações (concessão de prazo) decorrentes da pandemia, consumindo R$ 88 milhões.  Em outra frente a Camil obteve de seus Fornecedores R$ 622 milhões em giro.  Em termos líquidos as atividades operacionais, em seu conjunto, demandaram capital de giro no valor de R$ 75 milhões.

A empresa também reforçou o caixa, tomando R$ 1,2 bilhão de empréstimos garantindo recursos para todo o ano de 2020. O Caixa, no valor de R$ 1,8 bilhão em 31-Mai, é mais que suficiente para as operações da empresa ao longo dos próximos 12 meses. 

Dada a vocação da Camil para aquisições é possível que ocorram novas compras de empresas.  Há dinheiro em caixa e muitas concorrentes menores estão machucadas pela crise.

Em Jun-20, o Conselho de Administração da Companhia aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio de R$15,0 milhões, correspondente ao valor bruto unitário de aproximadamente R$0,04 por ação. Tiveram direito ao JCP todos os acionistas detentores de ações ordinárias de emissão da Companhia na data base de 12 de junho de 2020, com pagamento realizado no dia 24 de junho de 2020.

Receitas Brutas Consolidadas

As vendas cresceram em paralelo com recuperação anual da margem bruta.  Foi possível um melhor repasse do aumento do custo da matéria-prima aos preços principalmente em grãos no Brasil.  Com um Lucro Bruto maior houve uma diluição de custos e despesas.

O Resultado Financeiro líquido, uma despesa de R$16,8 milhões no trimestre (+55,5% YoY), teve como causas o crescimento das despesas financeiras de variação cambial, parcialmente compensado pela receita financeira do resultado de derivativos.

Apesar de preços mais altos, a demanda manteve-se forte e trouxe maiores volumes de vendas e margens de comercialização superiores,.  Com isso a margem Bruta subiu discretamente e a margem EBITDA quase dobrou.

SEGMENTO INTERNACIONAL

As operações no Peru e Chile são voltadas ao abastecimento do mercado interno e as operações no Uruguai são destinadas à exportação.  O volume atingiu 176,6 mil tons no trimestre (+59,7% YoY e -12,8% QoQ), com crescimento de vendas anual em todos os países, reflexo da alta demanda em meio a pandemia do Covid-19. Na comparação sequencial (QoQ), o resultado foi impulsionado pela redução de vendas do Uruguai, que responde por 72% das receitas internacionais.

O Lucro Líquido no trimestre veio forte, R$ 110 milhões (margem de 6,3%), decorrente da melhor demanda e otimização de custos e despesas implementada.  As condições de mercado indicam uma boa probabilidade de manutenção das margens em 2020 nos patamares do 1T20, o que reforçaria o impulso do preço das ações.

Dívida e Caixa

Em vista da pandemia e das incertezas decorrentes, principalmente quanto à oferta de crédito, a Camil tratou de garantir um bom volume de liquidez para atravessar esse período mais crítico. 

A tabela abaixo mostra o aumento expressivo de empréstimos de curto prazo que foram destinados à constituição de um caixa robusto de R$ 1,8 bilhão, 224% maior que no 4T19. 

A alavancagem por EBITDA, medida por endividamento liquido que aumentou apenas 16%, até baixou um pouco se comparada ao 4T19.

Com uma situação financeira confortável, com marcas fortes e boa capacidade de comercialização, a Camil é uma das empresas que se beneficiou da pandemia e segue bem posicionada para uma excelente performance em 2020.

Nota:  Este post foi elaborado a partir de informações obtidas da central de download da área de RI da Camil.

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NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA

Sobre o Autor: Claudio R. Cusin é Engenheiro Mecânico formado pela Poli (USP) e Economista formado pela FEA (USP). É atualmente consultor de finanças tendo trabalhado no mercado financeiro por 30 anos. Foi Diretor de Credito e de Risco em vários bancos de investimento e comerciais. Email: claudio@smallcaps.com.br

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