Contexto: A Cury é uma principais operadoras MCMV listadas no Brasil, com atuação concentrada nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro. Desde o IPO em setembro/20, a Companhia multiplicou todas as linhas operacionais: receita líquida saiu de R$ 1,1 Bi em 2020 para R$ 5,4 Bi em 2025 (cerca de 5x em cinco anos), VGV lançado de R$ 1,5 Bi para R$ 8,3 Bi (5,5x), vendas líquidas de R$ 1,3 Bi para R$ 7,8 Bi (5,8x) e landbank de R$ 9,8 Bi (final de 2021) para R$ 24,9 Bi no 1T26. O lucro líquido 100% cresceu de R$ 190 milhões (2020) para R$ 1,08 bi (2025), com ROE saindo de 49% em 2022 para 78,8% em 2025 e 79,5% no LTM 1T26, maior patamar histórico. Ao longo destes anos apresentou margem bruta estável e crescente, de 37 a 40% 40% e margem do resultado a apropriar (REF) acima de 42%.

A combinação de crescimento com disciplina de capital posiciona a Cury com uma das melhores conversões de lucro em caixa do setor. A geração de caixa operacional saiu de R$ 170 MM (2020) para R$ 683 milhões (2025) e R$ 751 milhões em LTM 1T26, com 28 trimestres consecutivos positivos. Esse motor sustenta a distribuição crescente de dividendos: de R$ 115 milhões em 2020 para R$ 1,4 Bi em 2025 e R$ 1,31 bi em LTM 1T26 (+100% YoY). A Companhia opera com caixa líquido positivo desde 2021, em torno de R$ 300-430 milhões.

O 1T26 entrega novamente recordes em vendas líquidas, receita líquida, lucro líquido e ROE, sem ruptura do padrão de geração de caixa. Três pontos atuais definem o pano de fundo: (i) escassez de mão de obra, que provocou atrasos pontuais em obras nos últimos trimestres, contornada com reforço de engenharia e pessoas nos canteiros, com produtividade já em recuperação nos primeiros meses de 2026; (ii) inflação de insumos puxada pelo preço do petróleo (US$ 95-105/barril embutido nos orçamentos), tema recente que provocou reprecificação relevante no setor; e (iii) sucessão executiva em andamento, com o modelo de Co-CEO anunciado em 2026 (Leonardo Mesquita da Cruz como Co-CEO e Paulo Curi como Co-Presidente de Engenharia) substituindo o modelo de CEO único exercido por Fabio Cury, mantendo os pilares estratégicos inalterados. Adicionalmente, a ampliação do MCMV anunciada em abril/26 (teto de renda familiar para R$ 13 mil e preço máximo do imóvel para R$ 600 mil) abre janela adicional de captura de preços e expande o público elegível, sem exigir mudança de estratégia.

Resultado Operacional

Lançamentos de R$ 2,64 bi (-4,9% YoY e +105,3% QoQ) com 10 empreendimentos (7 em SP e 3 no RJ) e preço médio de R$ 330,8 mil/unidade (+8,5% YoY). O 1T é sazonalmente o mais fraco em lançamentos e vendas no setor, padrão que não se confirmou na Cury: o volume lançado superou folgadamente o 4T25 e ficando próximo do patamar do 1T25, mesmo em base já elevada. A parte Cury caiu para 85,7% (vs. 95,8% no 1T25), refletindo maior co-incorporação, o que reduz exposição de capital próprio por projeto mas pressiona a linha de minoritários no resultado consolidado. Em LTM os lançamentos somam R$ 8.147,9 MM (+8,9% YoY), abaixo do potencial estimado de cerca de R$ 10 Bi/ano nas praças atuais.

Vendas líquidas de R$ 2,3 bi marcaram o maior trimestre da história da Cury (+9,5% YoY, +48,1% QoQ), com VSO trimestral de 45,1% (-0,3 p.p. YoY) e VSO LTM de 73,9% (+1,3 p.p.). Preço médio de venda subiu para R$ 325,4 mil (+4,9% YoY), com 86,5% das vendas ainda abaixo do teto de R$ 500 mil.
Três lançamentos do tri merecem destaque pelo desempenho comercial até 11/05/2026: Novo Mundo Carrão (SP, VGV R$ 410 MM, 82% vendido), Luzes do Rio Candeeiro (RJ, R$ 184 milhões, 76% vendido) e Cidade Parque Guarapiranga (SP, R$ 294 milhões, 100% vendido). O 2T26 já começou forte com a 2ª fase do Novo Mundo Carrão (VGV R$ 424,5 milhões, 1.248 unidades, +50% vendido no primeiro mês). A prioridade segue sendo geração de caixa, com margens fortes e VSO elevada, sem pressa em repassar preço apenas porque concorrentes começam a subir.

Distratos de R$ 229,3 milhões (+91,4% YoY), com relação distratos/vendas brutas em 9,0% (vs. 5,4% no 1T25). O movimento não é específico da Cury, com o setor todo enfrentando maior nível de distratos no período.

Produção de 4.633 unidades no tri (+37,8% YoY) e 18.060 em LTM (+25,0%), com 87 obras em andamento (vs. 72 no 1T25). Houve atrasos pontuais por escassez de mão de obra, contornados com reforço de engenharia e ampliação do quadro nos canteiros. Produtividade subiu nos primeiros quatro meses de 2026 e custos eventuais de atraso não são materiais. Há ainda plano de adoção gradual de parede de concreto em obras mais simples, em implementação futura.

Landbank em R$ 24,92 bi (+25,8% YoY, +1,1% QoQ), 82.119 unidades em 88 empreendimentos (vs. 73 no 1T25), sendo R$ 18,54 bi em SP e R$ 6,37 bi no RJ. Com lançamentos LTM de R$ 8,1 Bi, equivale a cerca de três anos de visibilidade de produção.

Resultado financeiro

Receita líquida de R$ 1.612,6 MM (+32,6% YoY, +13,6% QoQ), recorde e acima do esperado pelo mercado, impulsionada por (i) maior volume vendido, (ii) maior preço médio e (iii) avanço físico das obras (PoC). Em LTM, receita atinge R$ 5.795,8 MM (+34,6% YoY).

Margem bruta de 39,0% (estável YoY; -1,3 p.p. QoQ), e mg bruta ajustada de 39,3% (+0,1 p.p. YoY). A margem do resultado a apropriar (REF) cedeu de 43,3% para 42,9% no tri (-0,4 p.p.), ainda em patamar elevado, funcionando como colchão para absorver eventuais surpresas de INCC. Como antecipado, a questão da inflação de insumos, em conjunto com a já sabida inflação de mão de obra, são pontos relevantes para explicar a dinâmica de custos no setor

Inflação dos materiais: Os ajustes orçamentários já foram feitos prevendo INCC de aproximadamente 8%. Pequenas brechas de renegociação com fornecedores começaram a aparecer, sinalizando que a inflação real pode vir abaixo do que o mercado espera, mas é cedo para incorporar otimismo. Pode haver impacto adicional no 2T26, mas a gestão não acredita que seja material.

Despesas operacionais em R$ 226,5 mihões (14,0% da receita líquida vs. 16,1% no 1T25, ganho de 2,1 p.p.). Despesas comerciais, mostrando diluição e ficando em 7,4% da receita líquida (vs. 8,7% no 1T25), reflexo do crescimento de receita e alavancagem operacional. A gestão sinalizou que esse patamar tende a normalizar mais próximo de 9% ao longo do ano. A tendência estrutural segue sendo de ganho de alavancagem à medida que a base de receita cresce, mas o 7,4% deste tri não deve ser usado como patamar recorrente para 2026.

Lucro líquido consolidado de R$ 351,2 milhões (+50,3% YoY), com margem líquida consolidada de 21,8% (+2,6 p.p.). Lucro %Cury de R$ 302,9 MM (+41,9% YoY), com margem de 18,8% (+1,2 p.p.). O LL do tri superou o consenso em 7~8% fruto da receita acima do esperado e maior diluição das despesas. A diferença entre LL consolidado e %Cury é explicada pela maior participação de minoritários em projetos de SP, fator que deve continuar afetando a conversão enquanto a estratégia de co-incorporação seguir. Em LTM, o LL consolidado soma R$ 1.198,7 MM (+54,0% YoY) e o LL %Cury chega a R$ 1,06 bi (+47,5% YoY).

ROE LTM de 79,5% (+12,0 p.p. YoY) – a operadora de MCMV mais rentável do mercado, mesmo sendo caixa líquido.

Geração de caixa operacional positiva em R$ 93,4 MM no tri (+263,4% YoY, no 28º trimestre consecutivo de geração positiva) e R$ 750,9 MM em LTM (+58,0% YoY). O 1T é sazonalmente o trimestre mais fraco de geração de caixa, e ainda assim a Companhia entregou positivo com crescimento expressivo YoY.

Alavancagem & dividendos

Caixa e equivalentes de R$ 1,75 bi e dívida bruta de R$ 1,35 bi (-8,4% vs. dez/25) resultam em caixa líquido positivo de R$ 406,9 milhões (vs. R$ 316,0 MM em dez/25).

Dividendos distribuídos nos últimos doze meses somaram R$ 1,31 bi (+100,0% YoY vs. R$ 659 milhões no 1T25 LTM), equivalente a um dividend yield trailing de cerca de 14% sobre o market cap atual de R$ 9,46 bi.
Em maio/26 a Companhia anunciou distribuição adicional de R$ 160 milhões (ex-dividendo em 18/05, pagamento em 28/05), totalizando R$ 300 milhões anunciados em 2026 YTD.

A gestão reafirmou na call que mantém a política de payout em torno de 80% e que não há motivo para alterá-la, mesmo no cenário inflacionário. Para 2026, a expectativa é de cerca de R$ 900 milhões em dividendos totais (incluindo o já pago e anunciado), equivalente a um yield de aproximadamente 10% sobre o market cap atual.

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