Abaixo os dados e resultados da Ceramica Portobello do primeiro trimestre de 2020.  Destaques dos números consolidados comparados ao 1T19 exceto quando mencionado diferente:

  • Receita líquida de R$ 274 milhões (aumento de 15%)
  • Lucro Bruto de R$ 95 milhões (aumento de 26%)
  • Margem Bruta de 35% (versus 32%)
  • EBITDA de R$ 36 milhões (aumento de 1.233%)
  • Margem EBITDA de 13% (versus 1%)
  • Lucro Líquido de R$ 21 milhões (versus Prejuízo de R$ 17 milhões)
  • Patrimônio Líquido de R$ 371 milhões fundeando 18% dos Ativos Totais
  • Disponibilidades Financeiras (Caixa e Aplicações) de R$ 325 milhões (aumento de 18% em comparação ao 4T19)
  • Dívida Líquida Total de R$ 414 milhões (redução de 3% em relação ao 4T19)
  • Alavancagem “Divida Líquida / EBITDA ” de2,6x (versus 3,3x no 4T19)
  • Liquidez Corrente de 1,3 x (versus 1,4 x no 4T19)

O primeiro trimestre de 2020 transcorreu muito bem para a Portobello até meados de março quando começou o enfraquecimento da demanda por conta da pandemia. 

Mesmo assim, no 1T20, as Receitas Liquidas aumentaram 15% impulsionadas pelo desempenho no mercado externo, cujo crescimento foi de 18%.  Comparado com os de anos anteriores este trimestre foi um recorde.   

O crescimento da operação  da companhia nos EUA, já amadurecendo, trouxe tração às receitas.  Também a desvalorização do Real no período contribuiu para esse crescimento.

O expressivo aumento no Lucro Bruto se deveu à um mix de produtos mais favorável, de maior valor agregado e margens maiores.  Adicionalmente o canal de varejo, que conta com 16 lojas próprias e 114 franquias em todo o país, com melhores margens, também avançou em vendas.

O EBITDA de R$ 36 milhões, é 13 vezes superior ao mesmo período de 2019, atingindo uma margem de 13%.  Foram reconhecidos ativos decorrentes de ações judiciais que tiveram trânsito em julgado neste trimestre, com ganhos no valor de R$ 12 milhões classificados em outras receitas operacionais.  Se desconsiderando o efeito dos ganhos judiciais, o EBITDA seria de R$ 24 milhões, R$ 21 milhões acima do 1T19.

Lucro Líquido de R$ 21 milhões. A variação cambial líquida foi positiva no valor de R$ 20 milhões.  Assim, sem a “ajuda” do cambio o LL teria sido de apenas R$ 1 milhão.  Baixo, porem bem melhor que os R$ 17 milhões de prejuízo no 1T19.

FLUXO DE CAIXA.  O 1T20 foi encerrado com um volume de disponibilidades de R$ 325 milhões graças, sobretudo, à geração Operacional de R$ 48 milhões.

Dívida

Embora o total de Disponibilidades (R$ 325 milhões equivalentes a 16% do Ativo Total) seja substancial, o perfil dos vencimentos da Dívida Bruta tem uma forte concentração no curto prazo, R$ 301 milhões.  O cenário atual de muita incerteza no mercado de crédito recomenda um colchão de liquidez mais confortável. 

A alavancagem, Divida Líquida / Ebitda  de 2,6x, ainda está num nível que permite à Portobello acessar bancos sem grandes dificuldades.  Porem as tendências econômicas e mercadológicas não são positivas.  Um alongamento da dívida mesmo que a um custo um pouco maior e com o oferecimento de garantias deixaria  o balanço mais saudável.  Como vemos abaixo há medidas nessa direção sendo tomadas.

PERSPECTIVAS 2T20

  • Vendas líquidas de abril ficaram 30% abaixo da média do 1T20
  • Em abril foi utilizada 50% da capacidade instalada
  • No encerramento do semestre a companhia espera chegar a um nível de estoques mais baixo, compatível com a demanda e produção menores e com isso otimizar o volume de capital de giro
  • Na mesma linha o CAPEX para o ano foi reduzido em 40%.  Manteve-se os investimentos nos principais projetos estratégicos, tais como a segunda etapa do projeto “Lastras” e o crescimento no varejo com ampliação da rede de lojas Portobello Shop
  • O foco é manter liquidez de caixa.  Principais medidas:  (i) Ingressos entre junho e julho de reembolso de financiamentos de CAPEX já contratados (em processo de comprovação), no valor total de R$ 25 milhões; e (ii) Postergação para 2021/2022 de amortizações de empréstimos e financiamentos, no montante total de R$ 18 milhões. (iii) Captação de R$ 42 milhões de empréstimo para capital de giro, com prazo total de 3 anos e carência de 1 ano, em fase final de formalização

Nota:  Este post foi elaborado a partir de informações obtidas da central de download da área de RI da PGB.

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NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA

Sobre o Autor: Claudio R. Cusin é Engenheiro Mecânico formado pela Poli (USP) e Economista formado pela FEA (USP). É atualmente consultor de finanças tendo trabalhado no mercado financeiro por 30 anos. Foi Diretor de Credito e de Risco em vários bancos de investimento e comerciais. Email : claudio@smallcaps.com.br

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