Como uma empresa do agronegócio vem trazendo bons resultados mesmo em períodos de pandemia

Onde você vê terra, eles vêem grana!

A BrasilAgro, empresa líder no setor de compra e venda de terras agrícolas com grande potencial de valorização, vem anunciando satisfatórios resultados a seus clientes. Desde o início das operações em 2006, a empresa tem seu modelo de negócios voltado à aquisição e posterior desenvolvimento, exploração e venda de propriedades rurais. Atualmente, a empresa conta com 11 fazendas próprias em seu portfólio, sem contar com outras propriedades nas quais funcionam sistemas de parceria e arrendamento. Além do negócio de terras, a empresa também produz grãos (soja e milho), algodão, cana-de-açúcar e pecuária.

Época de vacas gordas e boas colheitas

Tendo em mente os resultados divulgados do 1T21, referentes ao trimestre findo em 30 de setembro de 2020, a empresa teve um crescimento na receita de produtos agrícolas de 33,9% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Deve-se destacar a pecuária que, mesmo sendo atividade transitória, reportou um crescimento de 124,5% e o desempenho do milho, que teve um aumento de 322%. Até mesmo o carro-chefe da companhia, a cana-de-açúcar, que representa cerca de 44% da receita, teve um aumento. O algodão, no entanto, foi a ovelha negra da família: suas receitas diminuíram cerca de 70%. Com tudo isso, a BrasilAgro reportou um lucro de R$ 72,6 milhões, representando um crescimento de 86% em relação ao mesmo período de 2019. Mesmo em um cenário caótico de pandemia, a companhia não identificou quaisquer perdas materiais em suas receitas.

 Sim, o Agro é sexy

            O setor agro vem puxando a carroça da economia brasileira nessa pandemia. Além de representar cerca de 21% do PIB em 2018, o setor acumula um crescimento de 16,81% nesse ano. Tal crescimento é divulgado no estudo realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, e em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Além disso, a frente pecuária sobe 21,95%, enquanto que a agrícola 14,55%. Em 2020, diversos produtos agrícolas tiveram alta e as exportações somaram U$ 100,81 bilhões, sendo o segundo maior valor da série histórica. A China representou 40% no total das exportações em junho do ano passado. Mesmo com um ano incrível, 2021 pode quebrar ainda mais recordes na exportação de grãos. De acordo com a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), o país pode mandar em 2021 um total de 83,5 milhões de toneladas de soja para o exterior.

            Junto com os resultados, o setor aposta ainda mais em tecnologia e no cuidado com o meio-ambiente. Nesse sentido, a BrasilAgro utiliza tecnologias modernas como sementes geneticamente modificadas e de alto rendimento, técnicas de semeadura direta, maquinário, otimização de rendimento da produção através da rotação de cultura, irrigação, uso de fertilizantes e agrotóxico, conforme o Guia de Boas Práticas Agrícolas da FAO recomenda. Além disso, a companhia tem um compromisso com o meio ambiente com projetos sustentáveis como o  Programa de Conservação de Áreas Protegidas e o Gerenciamento de Resíduos, Reciclagem, Tratamento de Efluentes, Monitoramento de Água e Recuperação de Áreas. É necessário estar em dia com as tendências do mercado para não ficar para trás.

            Agro, portanto, é um setor de grande desenvolvimento e que continua se reinventando para se manter lucrativo. O Agro 4.0 traz a tecnologia como parceira e mantém os compromissos com a sustentabilidade em dia. Apesar disso, o setor continua sendo cíclico e muito dependente de mudanças climáticas. Por isso, é necessário ficar atento aos boletins informativos e acompanhar o resultado das safras para colher os melhores frutos do seu investimento.

Agro é top: a asset play

            Tendo um portfólio grande e bem diversificado de terras, é natural imaginar que a empresa tem um grande valor de ativos por baixo das mangas. Segundo a avaliação interna da companhia realizada em junho de 2020, nossas expectativas estavam corretas: o valor de mercado do portfólio era de R$ 1,9 bilhão. Com isso, BrasilAgro estima um NAV por ação de R$ 33,48. Atualmente, o papel é cotado em torno dos R$ 26,00.

A alavanca que movimenta o trator

            Para custear os investimentos, a BrasilAgro acumula uma dívida total de R$ 455,2 milhões, sendo R$ 204 milhões de curto prazo (1 ano). Será que a empresa vai conseguir manter o trator de suas receitas em andamento? A empresa conta com o caixa de R$ 224,2 milhões e mais R$ 205,7 milhões em contas a receber e créditos diversos. Mesmo assim, é importante ficar de olho no resultado da próxima safra (2020/2021) e na conseguinte entrada de receita para a companhia. Nesse sentido, é estimado um aumento na safra de grãos de 7,9%     e 1,9 milhão de toneladas de carne. Até setembro, apenas 258 mil toneladas foram produzidas, o que, segundo a companhia, é normal para os primeiros meses da safra. Mesmo assim, é essencial acompanhar os próximos resultados para saber se as estimativas bateram com a realidade.

Próximos passos: em qual lugar plantar as novas sementes?

            A BrasilAgro (AGRO3) anunciou em 25 de janeiro de 2020 oferta restrita de distribuição pública de 20 milhões de novas ações. Tal oferta poderá ainda ser acrescida a critério da Autonomy Luxembourg One S.à r.l em até 27,35%. Segundo a companhia, os recursos captados serão usados para aquisição de ativos na Bolívia e outros investimentos na exploração e desenvolvimento de suas terras. Seria isso parte da estratégia de diversificação da carteira de ativos? Afinal, para minimizar os riscos intrínsecos do mercado agro, a empresa busca diversificar tanto os produtos, quanto a localização de suas terras. Investimentos em outros países, mas ainda próximos do Brasil, poderão contribuir para reduzir a volatilidade do caixa e manter os investidores mais calmos em períodos de secas e vacas magras. Vamos ficar de olho para ver se esse dinheiro vai ser bem direcionado.

Sobre o autor:  Marco Saravalle é analista CNPI-P e sócio-fundador da BM&C e da Sara Invest. Foi estrategista de Investimentos do Banco Safra, estrategista de Investimentos da XP Investimentos, Analista e co-gestor de fundos de investimentos na Fator Administração de Recursos e GrandPrix e analista de ações na Coinvalores e Socopa. Iniciou sua carreira no programa de Trainee do Citibank. Formado em Ciências Econômicas pela PUC-SP, Pós-graduado em Mercado de Capitais pela USP e Mestrando em Economia e Finanças pela FGV/EESP. Atualmente é Diretor Administrativo/Financeiro da Apimec Nacional, membro do comitê de educação da CVM e presidente do Conselho da ONG de educação financeira, Multiplicando Sonhos.

http://sarainvestoficial.com/

Caso você também queira escrever algo em nosso Portal, envie seu texto para contato@smallcaps.com.br. Além do texto, precisamos de sua assinatura, com nome e qualificação. Nos reservamos o direito de decidir quais textos iremos ou não publicar.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Small Caps

NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA

Siga nosso Twitter: https://twitter.com/portalsmallcaps

Instagram: www.instagram.com/portalsmallcaps

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui