Arezzo&Co (ARZZ3)- Moda de Luxo a preço de varejo?

“A varejista de Alexandre Birman que buscou soluções criativas para deslanchar as vendas na pandemia e pisar em seus concorrentes” por Marco Saravalle.

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“A varejista de Alexandre Birman que buscou soluções criativas para deslanchar as vendas na pandemia e pisar em seus concorrentes” por Marco Saravalle.

Calçando o crescimento: Passo a passo da história da Cia.

Sua história começou em 1972 em Belo Horizonte. No primeiro momento a companhia produzia sapatos masculinos, porém logo migrou para a fabricação de produtos exclusivamente femininos. Hoje a Arezzo & CO é líder no setor de calçados, bolsas e acessórios femininos no Brasil e possue sete marcas em seu portfólio, sendo elas: Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Fiever, Alme e Vans (distribuidora exclusiva da marca no Brasil). A companhia, atualmente, comercializa mais de 13,5 milhões de pares de calçados por ano, além de acessórios e bolsas e estes se destacam pela inovação, conforto, qualidade e design. Marcas poderosas associadas a um estilo de vida desejado e diferenciado para públicos-alvo específicos e, também, claro, atender a diferentes ocasiões de uso.

Arezzo&Co: uma habilidade luxuosa de sempre ser a melhor

Uma companhia com grandes marcas não poderia fazer por menos, onde esta conquistou dezenas de prêmios nas mais diversas áreas: tecnologia, produção, gestão, inovação, web commerce e comercialização. Por diversos anos consecutivos foi considerada a melhor franquia de calçados, bolsas e acessórios femininos no Brasil. Já na Revista Exame, no Melhores e Maiores, alcançou a primeira posição em diversos setores como o de calçados, artefatos de couro e têxteis.

Disruptivo e lucrativo: Seu modelo de negócios

A Arezzo&CO tem seu modelo de negócios atrelados a fabricação, o desenvolvimento, a modelagem e o comércio de calçados, bolsas, acessórios e itens de vestuário para o mercado feminino e, agora, com a aquisição da Reserva, masculino.

As marcas são comercializadas por meio de 735 franquias nacionais e internacionais e 53 lojas próprias, além de estarem presentes com 4.427 lojas multimarcas no brasil.

De peso só o nome das grandes marcas: modelo asset light

A Arezzo, diferentemente das varejistas tradicionais, tem um foco na expansão por meio de franquias, sendo portanto, uma empresa de modelo asset light. As franquias já representam 37,3% da Receita Bruta. A companhia usa muito o conceito de “flagships”, que são lojas que têm como objetivo chamar atenção para a marca, tendo uma arquitetura e um desing superior as lojas comuns. Por terem um custo mais alto, elas não são escaláveis, e acabam sendo efetuadas em pontos estratégicos, como a Rua Oscar Freire, em São Paulo, a Madison Avenue, em Nova York e Beverly Drive, em Los Angeles. Além disso, essas lojas possibiliam a companhia um “teste” da aceitação de mercado dos produtos, o que permite um maior conhecimento de dados para a companhia sobre os produtos.

Além do modelo de flagship, a companhia é adepta as lojas multimarcas, principalmente nas cidades pequenas. Essa estratégia permite que a companhia adentre nas cidades com poucos habitantes, sem que precise abrir uma loja, não tendo portanto necessidade de investimentos, mas aumentando fortemente a capilaridade. As lojas multimarcas representam 20,5% da Receita Bruta.

ZZ Mall, o MarketPlace da Arezzo&CO

O MarketPlace de moda da companhia, com a oferta de itens de 34 marcas, englobando também as grifes do grupo. A plataforma já nasce com uma base de 10 milhões de clientes cadastrados além do grande potencial de expansão ao oferecer produtos para diversos públicos.

Gol de placa vermelho da Arezzo: Marina Ruy Barbosa é a diretora de moda e mídias digitais do MarketPlace, um nome forte e com grande impacto no mercado. Marina lançou recentemente sua marca “Ginger” que teve diversas peças esgotadas logo no lançamento reforçando ainda mais sua capacidade de contribuir com o crescimento do MarketPlace e para o futuro da Arezzo & CO.

Reserva(do) o crescimento da companhia:

A aquisição da Reserva, empresa que faturou cerca de R$ 400 milhões em 2019 conta com 78 lojas próprias e 32 franquias, operando em mais de 1,5 mil lojas multimarcas e 25% do total das vendas vindo do canal online.

A aquisição foi um realizada por um preço atrativo, onde a aquisição da Reserva pela Arezzo implicou em um EV/EBITDA de 14,3x para Reserva. Em contrapartida, o Grupo Soma realizou a compra da Maria Filó e pagou um EV/EBITDA de aproximadamente 16,5x.

ART com sinergia: A de Arezzo , R de Reserva e T de Troc:

Boa parte das sinergias da transação virão justamente da área de calçados, que já representa mais de 12% do faturamento da Reserva, e será facilmente escalável dada a expertise da Arezzo no assunto e sua cadeia de fornecedores no Vale dos Sinos. A Arezzo implementará seu modelo de gestão de franquias nas seis marcas da Reserva, que inclui a bandeira Reserva. Vale ressaltar que os sócios, como a Dynamo, uma das mais renomadas gestoras do Brasil, prefeririam continuar sócios, ao invés de vender integralmente sua participação; o que demonstra que estão confiantes com a capacidade da gestão.

Vale ressaltar também, que a Arezzo é uma marca muito forte em moda feminina, enquanto a Reserva é muito forte em marca masculina, o que traz expertise para ambos os lados. A alta fragmentação do mercado de vestuário brasileiro, traz uma oportunidade muito grande de maior consolidação no setor com a integração de ambos. Ainda, a junção multiplicou por 3,5x o mercado endereçável das empresas.

Além da aquisição proporcionar a entrada no mercado de Resale, com a Troc no marketplace ZZ Mall (que conta com uma base de 10 milhões de clientes cadastradas), cria-se um network effect, onde as clientes serão incentivadas a vender suas peças na Troc e poderão receber dinheiro ou crédito com incentivo para trocar por produtos novos no marketplace. Além disso, proporciona, via big data, um pleno conhecimento do guarda roupa e das marcas preferidas das clientes, proporcionando um maior conhecimento para desenvolvimento de produtos, e até M&A’s.

A TROC, um Re-Sale de qualidade:

No dia 20/11/2020 a Arezzo anunciou a aquisição da Troc.com.br, startup de compra e venda de peças usadas. Pelo contrato, a Arezzo fica com 75% do capital social da TROC e entra no mercado de segunda mão. diz o grupo em fato relevante. A atual sócia da TROC, Luanna, permanecerá na operação, no mínimo, até 31 de dezembro de 2023, com métricas de performance pré-estabelecidas, e continuará como diretora presidente da TROC. O grupo Arezzo vai investir R$ 12 milhões nos primeiros dois anos para aumentar o time de funcionários e encorpar a área de desenvolvimento tecnológico. Segundo a Aline Penna, que comandou as negociações, a empresa tem potencial para crescer a uma média de 150% ao ano nos próximos três anos.

Diferente da Enjoei, que tem um sistema de peer to peer, no qual a cliente coloca as peças à venda na plataforma, a Troc faz toda a gestão. A companhia busca as peças na casa da cliente, seleciona, faz as fotos, armazena em seu galpão e comercializa no site. A coleta é feita, por enquanto, em São Paulo e Curitiba. No restante do País, a startup envia um código para que a cliente mande as roupas pelo correio. Por comandar todo o processo, fica com uma comissão de 50% de cada venda. Uma das grandes vantagens desse negócio é que a startup não necessita de capital de giro para ter os produtos, já que as clientes recebem o dinheiro depois da venda. E, se nem todas as peças se encaixarem no perfil da plataforma, a empresa comercializa com outros brechós da região de Curitiba. Cerca de 60% dos produtos da plataforma são vendidos no mesmo mês em que são expostos, enquanto os 40% que permanecem no site têm seus preços alterados, quando ficam mais de 180 dias. A companhia informou que tem uma base de 250 mil clientes e um GMV ainda abaixo de R$10 milhões.

Sobre o autor:  Marco Saravalle é analista CNPI-P e sócio-fundador da BM&C e da Sara Invest. Foi estrategista de Investimentos do Banco Safra, estrategista de Investimentos da XP Investimentos, Analista e co-gestor de fundos de investimentos na Fator Administração de Recursos e GrandPrix e analista de ações na Coinvalores e Socopa. Iniciou sua carreira no programa de Trainee do Citibank. Formado em Ciências Econômicas pela PUC-SP, Pós-graduado em Mercado de Capitais pela USP e Mestrando em Economia e Finanças pela FGV/EESP. Atualmente é Diretor Administrativo/Financeiro da Apimec Nacional, membro do comitê de educação da CVM e presidente do Conselho da ONG de educação financeira, Multiplicando Sonhos. http://sarainvestoficial.com/ Caso você também queira escrever algo em nosso Portal, envie seu texto para contato@smallcaps.com.br. Além do texto, precisamos de sua assinatura, com nome e qualificação. Nos reservamos o direito de decidir quais textos iremos ou não publicar. * Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Small Caps NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA Siga nosso Twitter: https://twitter.com/portalsmallcaps Instagram: www.instagram.com/portalsmallcaps

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