Como já é de conhecimento geral, em 2015, quando a CBC assumiu o controle da companhia, foi dado início a um robusto processo de reengenharia que transformou a então Forjas Taurus S.A.. A empresa que estava a beira de ingressar em uma recuperação judicial transformou-se no que é hoje a Taurus Armas S.A., referência mundial de indicadores no setor, superando todos os seus pares de capital aberto.

Diante de tal crescimento, surgem então os questionamentos: esse crescimento é sustentável? Qual é o segredo da companhia?

A importância do dólar

Diferente do que muitos erroneamente pensam, o mercado nacional representa apenas aproximadamente 20% do faturamento da companhia, sendo composto majoritariamente por licitações vencidas, apesar do expressivo crescimento recente na demanda do mercado civil.

Diante desse cenário de receita dolarizada, a companhia estrategicamente optou por concentrar seus custos em moeda real. Dessa forma, cria-se então um hedge natural onde quanto maior for a valorização do dólar frente ao real, maiores serão as margens da companhia.

Em linhas gerais, para que essa estratégia seja 100% concretizada, a unidade brasileira está sendo transformada em um grande centro de desenvolvimento, produção e distribuição de peças, enquanto a unidade americana vai se transformando em uma grande montadora. Hoje, o processo ainda é misto, pois a unidade brasileira também exporta armas para a Taurus USA e para o mercado externo.

Condomínio Industrial de São Leopoldo

Seguindo a estratégia de crescimento e aumento contínuo de produtividade, em 15 de dezembro a Taurus inaugurará seu Condomínio Industrial, onde concentrará no mesmo pátio e integrados à unidade brasileira seus principais fornecedores.

O condomínio possibilitará aumento de produtividade tanto para a unidade brasileira quanto para a unidade americana, podendo ainda atender a futura instalação indiana.

Mercado consumidor

Nos EUA, maior mercado consumidor da empresa, a Taurus já é a quarta marca mais vendida e a primeira mais importada. É importante destacar que no país, diferentemente do Brasil, a empresa atende majoritariamente o mercado civil.

Com isso, é possível afirmar que esses dois mercados compõem as receitas ordinárias da Taurus, porém a empresa está presente em mais de 100 países, atendendo não apenas o mercado civil, mas principalmente atuando em grandes licitações internacionais, que podem ser classificadas como receitas extraordinárias da empresa.

Como a Taurus tem os melhores indicadores dentre seus principais concorrentes, em períodos de possível baixa na demanda por armas no mercado civil, a empresa pode escolher qual licitação internacional participar e consequentemente vir a ganhar, suprindo uma eventual queda em seu faturamento. Tal estratégia proporciona linearidade de resultados e mitiga eventuais surpresas negativas.

Joint Venture indiana

Por questões estratégicas, a empresa ainda não divulgou em detalhes o potencial financeiro da Joint Venture formada com a gigante indiana Jindal, mas sem dúvidas é possível afirmar que este pode ser um novo marco para a companhia.

Além dos mercados já citados, a companhia iniciará sua produção na Índia em janeiro de 2022, visando atender inicialmente o mercado civil que ainda é relativamente restrito. No entanto, por meio do programa “Make in India”, a empresa já está habilitada a participar de licitações bilionárias no país. Essa pode ser a grande sacada da companhia, pois o governo indiano já anunciou que em breve tais licitações serão iniciadas.

Diante disso, a Taurus já informou ao mercado que está enviando amostras de seu fuzil para as forças indianas, para que estes sejam submetidos aos devidos testes de qualidade.

Passado e futuro

Além dos robustos resultados apresentados trimestre a trimestre, a empresa sempre faz questão de ratificar que ainda tem muito mais por vir, fato este que é confirmado com os recordes que são apresentados a cada trimestre há seis trimestres consecutivos.

Esta entrega expressiva de resultados proporcionou a empresa reverter seu patrimônio líquido, que já permanecia negativo há 7 anos.

Outra conquista a ser apresentada pela empresa será a quitação dos prejuízos acumulados herdados da antiga gestão da companhia. O mercado acredita que tal fato será concretizado na AGE agendada para o dia 30/11/2021, através da redução de capital social.

Tais conquistas habilitam a Taurus Armas a entrar no radar de alguns fundos de investimento que até então eram contabilmente impedidos de ter ações da empresa em sua carteira.

Liderança mundial

Assim como a CBC é a líder mundial na produção de cartuchos para armas leves, a Taurus, além de apresentar os melhores indicadores do setor atualmente, já é líder mundial na produção de revólveres. Seu principal objetivo agora é assumir a liderança mundial na produção de armas leves.

Diversificação de portifólio

Embora possa parecer contraditório, pois em 2019 a empresa anunciou que focaria na produção apenas de seu produto principal (armas), em 2021 a empresa inaugurou sua primeira loja física em Brasília. A loja será modelo para implantação de um sistema de franquias, dessa forma sendo possível identificar que a Taurus está oferecendo cada dia mais produtos e acessórios que possam agregar valor à marca.

O grande diferencial é que a produção desses produtos não é feita pela Taurus e sim por parcerias estratégicas.

Ainda nessa linha, é possível destacar a Joint Venture formada com a brasileira Joalmi para a produção de carregadores. A parceria proporcionou a Taurus ingressar em um mercado ainda não explorado, com margens superiores às de seus principais produtos.

Além, claro, dos inúmeros lançamentos que estão surpreendendo positivamente o público, enquadrados na categoria seu principal produto que são as armas como é o caso da GX4, uma pistola micro compacta que foi lançada para competir em um nicho de mercado que a companhia até então não atuava. O produto possui maior valor agregado e foi muito bem recebido pelo mercado, sendo inclusive premiado.

Retorno ao acionista

Em 2020 a Taurus Armas foi a empresa que mais valorizou na B3 e, com os fatos aqui elencados, fica evidente que esse crescimento está bem longe de seu topo.

Fato é que a bolsa precifica expectativas, e, no caso da Taurus, nem o que já é fato está precificado em sua cotação, por isso há analistas que são categóricos em afirmar que há potencial para a companhia dobrar de valor e ainda continuar “barata”. Em termos fundamentalistas, como isso é atestado?

Um dos principais indicadores de uma empresa pode ser considerado para embasar a tese de que a empresa está subvalorizada, e este é o EV/EBITDA. Hoje, a Taurus apresenta um EV/EBITDA de 3,5x. Como na B3 não há outras empresas do setor de armas, temos que buscar tais informações no mercado americano para fins de comparação, e com isso podemos destacar as seguintes empresas:

  • Sturm Ruger: Empresa do fabricante de armas. Antes da Taurus assumir a liderança em indicadores, a Ruger ocupava tal posição e seus números eram um objetivo a ser alcançado pela Taurus. Hoje apresenta um EV/EBITDA de 8,5x;
  • Smith & Wesson: Empresa do fabricante de armas; tem perdido mercado devido a suposta queda na qualidade de seus produtos nos EUA. Hoje apresenta um EV/EBITDA de 3,9x.
  • Vista Outdoor: Empresa do setor de comércio de material outdoor, incluindo armas e munições. Apresenta um EV/EBITDA de 6,9x
  • American Outdoor:  Empresa do setor de comércio de material outdoor, incluindo armas e munições. Apresenta um EV/EBITDA de 16,8x.
  • Ammo: Empresa do setor de munições; não comercializa armas, mas seu produto está diretamente ligado ao setor. Hoje apresenta um EV/EBITDA de 35,2x.

O retorno dos dividendos

Além do grande potencial de valorização que a empresa pode entregar a seus acionistas, com a reversão do patrimônio líquido já consolidada e com a zeragem dos prejuízos acumulados, a Taurus – que tem em seu Estatuto a remuneração mínima de 35% – já anunciou que após quase 10 anos, em 2022, em referência ao 4T21, pagará a seus acionistas dividendos tão agressivos quanto tem sido seus resultados, o que possibilitará mais um prêmio ao acionista.

Conclusão

Em um cenário mundial recente tão conturbado devido à pandemia do COVID 19, a Taurus Armas se apresenta como uma empresa blindada e capaz de crescer, seja em tempos de crise ou em tempos de calmaria. Afinal, a empresa faz questão de enfatizar que seus ganhos não são meramente sazonais ou dependentes de um governo de direita ou de esquerda. Desse modo fica o questionamento: seria a Taurus a maior oportunidade da bolsa brasileira?


Texto escrito por Christian Lima com a colaboração da LRCA Consulting. Christian Lima é graduado em Engenharia de Produção pela Universidade Veiga de Almeida, possui MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV e é graduando em Engenharia Civil pela UNESA. Atua no setor de construção civil há dez anos e no mercado de importação há seis anos. Estuda e investe no mercado financeiro há quatro anos.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal
Small Caps

NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA

Caso você também queira escrever algo em nosso Portal, envie seu texto
para contato@smallcaps.com.br. Além do texto, precisamos de sua assinatura, com
nome e qualificação. Nos reservamos o direito de decidir quais textos iremos ou
não publicar.

Siga nossas redes sociais:
Twitter: www.twitter.com/portalsmallcaps
Instagram: www.instagram.com/portalsmallcaps

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui