A Iochpe-Maxion, uma multinacional brasileira, é líder mundial na produção de rodas automotivas e um dos principais produtores de componentes estruturais automotivos nas Américas.  Possui 32 plantas, espalhadas por 14 países e conta com 15 mil funcionários. 

Em 2020 a Receita Consolidada foi de R$ 8,7 bilhões, originados na América Latina (Brasil incluído) 22%, América do Norte 30%, Europa 39% e Ásia e Outros 9%.  As Rodas respondem por 81% das receitas e os Componentes Estruturais por 19%.

O ano de 2020 foi muito difícil para a indústria automotiva que encolheu 16%.  Entretanto a vacinação em curso e a gradual da retomada dos mercados, com destaque para veículos comerciais, podem trazer mais tração para essa indústria.  Os EUA e a Europa (responsáveis por 69% das receitas da Iochpe) já estão avançando bastante na imunização.  Com isso há um upside potencial interessante para um produtor de componentes automotivos como a Iochpe.

   

Na comparação trimestre a trimestre há uma recuperação curso, ficando o Brasil na rabeira da retomada:

Para a Iochpe ano foi ruim e o 4T20, ainda que melhorando, permaneceu desafiador.

A Receita Líquida recuou 12,5% no ano de 2020 mas no 4T20 mostrou uma boa recuperação de 21,8%.  Entretanto as margens Bruta, Operacional, EBITDA e a Líquida diminuíram bastante. 

Esse fraco desempenho se deve a várias causas: (i) retração do mercado automotivo global (ex-China) que teve quedas fortes de 60,0% no 2T20 e de 10,0% no 3T20 (comparados ao mesmo período do ano anterior).  Houve uma pequena recuperação de 0,9% na produção no 4T20; (ii) problemas na cadeia de suprimentos gerando descontinuidades na produção e aumentos substanciais de custos, (iii) a variação cambial que impactou as Despesas Operacionais (no 4T20)  e Despesas Financeiras ao longo de 2020 e (iv) reestruturações com fechamento da planta de Akron (EUA) e a redução de mão-de-obra indireta, que impactaram negativamente o 4T20 em R$ 78,4 milhões e, no ano de 2020, o custo total das reestruturações atingiu R$ 171,7 milhões.

Operando em países com “moeda forte” a desvalorização do Real não teve um impacto operacional e financeiro positivo na Iochpe porque seus custos e dívidas nestes países também são denominados em moeda forte.  Infelizmente a empresa tem no mercado asiático a sua menor exposição, justamente aquele que parece ter condições de retomar a produção de modo mais rápido e consistente. 

O EBITDA caiu quase pela metade – R$ 543,8 milhões (queda de 51% x 2019) com uma mergem de 6,1%.  O 4T20 teve um EBITDA mais animador – R$ 237,3 milhões , 5,1% acima daquele do 4T19.

A companhia encerrou o ano com um Prejuízo Líquido de R$ 492 milhões, destes, R$ 130 milhões foram prejuízos no 4T20.  O maior vilão aqui foi o Resultado Financeiro negativo de R$ 233 milhões no ano (essa despesa subiu 37% comparada a 2020).  No 4T20 o número foi R$ 57 milhões (212% x 4T19).

Caixa e Endividamento

A solvência da empresa está controlada com um robusto caixa.  Mas a alavancagem é muito alta com Dívida Líquida/EBITDA de 6,5x , lembrando que 3,5x seria o máximo para uma alavancagem considerada aceitável.

Além da possível recuperação do EBITDA, a alta alavancagem tem uma mitigação no alongamento dos prazos da dívida que empurrou 81% dos vencimentos para depois de Dez-2021:

Com todos esses desafios o preço da ação – MYPK3 – se manteve deprimido ao longo do ano:

Fonte: Site FUNDAMENTUS

Pela sua cotação no dia 03-Mar, a R$ 17,71, o preço poderia parecer atraente, simplesmente por estar muito abaixo do que já foi.  Entretanto considerando Valor da Firma de R$ 5,47 bilhões e o EBITDA de 2020 de R$ 544 milhões,  chega-se a um EV/EBITDA de 10 x, um índice que não indica uma barganha.  Se considerarmos o EBITDA do 4T20 e “anualizarmos” esse  EBITDA até Set-2021 chegaríamos a R$ 952 milhões, apontando para um EV/EBITDA de 5,7 x, um múltiplo já mais interessante. 

A grande questão é como o mercado automobilístico vai se comportar em 2021 e, por consequência como será o desempenho, da Iochpe. 

NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA

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Sobre o Autor: Claudio R. Cusin é Engenheiro Mecânico formado pela Poli (USP) e Economista formado pela FEA (USP). É atualmente consultor de finanças tendo trabalhado no mercado financeiro por 30 anos. Foi Diretor de Credito e de Risco em vários bancos de investimento e comerciais. Email: claudio@smallcaps.com.br

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