A Iochpe Maxion  divulgou os dados e resultados do primeiro trimestre de 2020.  Destaques dos números consolidados comparados ao 1T19 exceto quando mencionado diferente:

  • Receita líquida consolidada de R$ 2,2 bilhões (redução de 9,9%).  Sem o impacto positivo da variação cambial a receita líquida consolidada teria uma queda de 19,1% no 1T20.
  • Lucro Bruto de R$ 184 milhões (queda de 38%)
  • Margem Bruta de 8,3% (versus 12,1%)
  • EBITDA de R$ 205 milhões (queda de 16%)
  • Lucro Líquido de R$ 9 milhões (queda de 86%)
  • Caixa e Equivalentes de R$ 1,1 bilhão (aumento de 76% em comparação ao 4T19).  Desse valor 59% em Reais 
  • Alavancagem “Divida Líquida / Ebitda ” de 3,0 x (versus 2,2 x no 4T19)
  • Liquidez Corrente de 1,2 x (versus 1,3 x no 4T19)

COVID-19

A empresa anunciou as medidas de praxe para o enfrentamento da pandemia, como atendimento às medidas locais e globais sobre o distanciamento social bem como medidas de segurança para proteção dos colaboradores.

Mercado e regiões de atuação

A Iochpe Maxion é fundamentalmente uma fabricante de rodas para a indústria automotiva. Elas representam 80% do seu faturamento.  O restante provem de “componentes estruturais”, que são longarinas, travessas e chassis montados para veículos comerciais e conjuntos estruturais para veículos leves. 

O grupo possui 32 fábricas, localizadas em 14 países e cerca de 16 mil funcionários.  Conforme mostra o gráfico abaixo, menos de ¼ do seu faturamento ocorre na América do Sul. No 1T20 essa proporção diminuiu mais ainda.  A Europa foi a única região que aumentou o share. 

Operando em países com “moeda forte”, a desvalorização do Real não teve um grande impacto porque seus custos e dívidas nestes países também são denominados em moeda forte.  Adicionalmente o próprio setor em que ela opera – automotivo – foi severamente prejudicado pela pandemia.  O 1T20 foi difícil e é possível que os próximos também sejam.  Infelizmente é pequena sua exposição no mercado asiático, justamente aquele que parece ter condições de retomar a produção mais rápida e fortemente.

O faturamento no Brasil foi de R$ 515 milhões no 1T20 (23% do faturamento total) , uma redução de 14,9% em relação ao 1T19.

Liquidez e Endividamento

O endividamento bruto consolidado somava R$ 4,3 bilhões em 31-mar-20 , 43% maior que os R$ 3,0 bilhões contabilizados em 31-dez-19.  Em 31-mar-20,  34,0% (R$ 1,5 bilhão) da dívida bruta vencia em até 12 meses.  Esse montante em 31-dez-19 era apenas 22% (R$ 649 milhões). 

O endividamento líquido consolidado atingiu R$ 3,2 bilhão no final do 1T20, um crescimento de 33% em relação ao montante no final do 4T19.

A variação cambial responde por R$ 451 milhões endividamento líquido consolidado atingido. 

No 1T20 foram captados cerca de R$ 670 milhões em linhas de financiamento .  Esse aumento do endividamento foi contratado buscando elevar a liquidez da Companhia, por conta da incerteza gerada pela pandemia.

A Iochpe Maxion reduziu o custo médio da dívida para 4,2% aa e cerca de 55% da dívida total não é denominada em Real.

A indústria brasileira, ao que tudo indica, terá uma recuperação difícil após a pandemia.  A boa notícia é que 77% das receitas da Iochpe Maxion ocorrem na Europa, America do Norte e Asia & outros.  A má noticia é que o mercado automotivo não deverá se recuperar tão rapidamente.  Apesar da sua impressionante e bem sucedida internacionalização e diversificação, a dependência do mercado automotivo global é um enorme desafio.

Nota:  Este post foi elaborado a partir de informações obtidas da central de download da área de RI da Iochpe Maxion.

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NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA

Sobre o Autor: Claudio R. Cusin é Engenheiro Mecânico formado pela Poli (USP) e Economista formado pela FEA (USP). É atualmente consultor de finanças tendo trabalhado no mercado financeiro por 30 anos. Foi Diretor de Credito e de Risco em vários bancos de investimento e comerciais. Email:  claudio@smallcaps.com.br

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