Contexto

A BR Partners entregou resultado resiliente em 2025, mesmo em um ambiente de juros elevados e menor atividade de M&A, que marcou o ano como um dos mais fracos para a linha nos últimos cinco anos. Ainda assim, o banco conseguiu preservar alta rentabilidade e geração de lucro, combinando maior contribuição de verticais mais recorrentes e disciplina de custos e despesas. Isso se refletiu principalmente na mudança gradual no mix de receitas ao longo dos últimos anos. As linhas não cíclicas, como DCM, TS&S, Wealth Management e remuneração do capital, seguiram ganhando peso e ajudaram a amortecer a queda de M&A. Além disso, a companhia promoveu um ajuste relevante de despesas, dessa forma isso ajudou a manter o índice de eficiência em torno de 45% e preservar ROE acima de 20% mesmo com menor volume de transações estratégicas.

O 4T25 trouxe sinais iniciais de inflexão operacional. A receita com clientes voltou a crescer com IB + Mercado de Capitais avançando no trimestre, com retomada de anúncios de M&A, melhora na conversão do pipeline e maior atividade de DCM, reforçando perspectivas mais positivas para 2026 e uma eventual normalização do ciclo de transações.

IB & DCM

IB + Mercado de Capitais mostraram recuperação no 4T25, após sequência de trimestres mais fracos ao longo do ano. A receita da vertical somou cerca de R$ 84 MM no trimestre, com crescimento de ~26% QoQ e estável YoY, refletindo retomada de anúncios de M&A e forte atividade de DCM. No acumulado de 2025, porém, a linha ainda recuou ~14%, impactada pelo menor volume de transações estratégicas e mandatos de capital solutions ao longo do ano.

Em M&A, 2025 foi marcado por menor conversão e menor número de operações versus a média histórica, mas o banco reporta melhora recente na maturação e conversão do pipeline, com retomada de anúncios no final do ano e carteira de mandatos mais diversificada setorialmente. No entanto, a leitura é de que o início de recomposição de atividade, ainda dependente de juros, fluxo estrangeiro e ambiente político.

No DCM, o ano seguiu forte em volume distribuído, próximo de R$ 10 bi (-7% vs 2024), com menor número de operações, porém tíquete médio maior. A estratégia foi priorizar operações mais estruturadas e de maior relevância econômica. Mesmo com juros elevados, o mercado primário permaneceu ativo, com destaque para instrumentos de crédito estruturado e funding corporativo de maior prazo. Ponto importante aqui, é que o mercado cresceu mais que o volume de emissões da empresa, possivelmente indicando uma perda de share.

S&T

A linha passou por uma desaceleração no 4T25. A receita ficou em torno de R$ 17 MM (-45,4% YoY), com queda sequencial e anual, refletindo maior competição (especialmente em clientes high grade), spreads mais comprimidos e efeito de sazonalidade de fim de ano. Ainda assim, no acumulado de 2025 a linha ficou praticamente estável YoY, próxima de R$ 87 MM. O desempenho segue apoiado na expansão de produtos de “flow”, mais recorrentes, em câmbio e derivativos, além de sinergias com a atividade de mercado de capitais. Destacam que o ambiente competitivo apertou no curto prazo, mas vem o início de 2026 mais oportunístico para a vertical.

Gestão de Patrimônio (FIP + WM)

Wealth Management continuou crescendo e ganhando escala, ainda com peso pequeno no resultado, mas com perfil recorrente. A receita foi de aproximadamente R$ 4,5 MM (+32% YoY) no 4T25 e ~R$ 16 MM no ano (+31% YoY). O WuM atingiu ~R$ 5,9 bi (+15% vs 2024), com entrada líquida positiva de recursos e avanço de tíquete médio.

Apesar da expansão, a companhia tem enfrentado maior competição no segmento e crescimento mais gradual do que previa , mantendo foco em aumentar a carteira. A vertical segue estratégica por recorrência de receita e potencial de cross-sell com eventos de liquidez de IB, com foco de chegar em ~R$ 25–30 bi de ativos sob gestão em 24–36 meses.

Remuneração do capital

A linha de remuneração do capital permaneceu relevante, beneficiada pelo patamar elevado de juros ao longo do ano. No 4T25 houve recuo sequencial de receita para R$ 25,5 MM (-23,3% QoQ), em parte explicado pela redução pontual da base de capital após pagamento de dividendos extraordinários. No acumulado de 2025, a receita ficou próxima de R$ 125 MM, com leve queda de 2,4% YoY, mas ainda como um dos principais amortecedores de resultado no ciclo fraco de M&A.

Despesas e índice de eficiência e remuneração

O principal vetor de proteção de rentabilidade em 2025 foi o ajuste de despesas. Os custos totais recuaram cerca de 13% no ano — acima da queda de receitas — com destaque para despesas de pessoal, apoiadas na alta parcela variável da remuneração, e controle de gastos administrativos. Com isso, o índice de eficiência ficou em torno de 45%, praticamente estável YoY, mesmo com menor receita. No 4T25 houve aumento das despesas vs 3T25 (+17,7%), mas em queda de 16,6% frente ao do ano anterior.

Capital, Funding e Basiléia

O banco ajustou o tamanho do balanço ao longo do ano, com redução de posições proprietárias e gestão mais ativa de estoques, o que ajudou a conter a alavancagem. Ao final de 2025, a alavancagem estava em torno de ~3,3x (Carteira de Títulos Privados e Bridge Loans / Capital Nível I), abaixo dos níveis do início do ano, deixando espaço para nova expansão conforme surjam oportunidades.

O índice de Basileia encerrou dezembro em ~22,6%, em patamar confortável e acima do histórico recente. O funding fechou o ano próximo de R$ 5,4 bi, com prazo médio ao redor de ~750 dias, beneficiado por emissões de instrumentos mais longos, que aumentaram a previsibilidade do custo de captação e reduziram risco de rolagem.

Lucro Líquido

O lucro líquido foi de cerca de R$ 45 MM no 4T25, com crescimento de 5,5% QoQ e 5,7% YoY, refletindo melhora de receita com clientes e recuperação de IB + DCM no trimestre. No ano, o lucro somou R$ 175 MM (-9,6% vs 2024), com margem líquida próxima de 33% e ROAE de ~22%, mantendo retorno elevado mesmo em ano de baixa do ciclo de transações.

Dividendos

A BR Partners manteve distribuição elevada de resultados, com cerca de R$ 176 MM pagos em dividendos em 2025, equivalente a um dividend yield de ~9,2% no período. As distribuições superaram o lucro do exercício, com parte dos pagamentos antecipada diante de mudanças tributárias. A decisão considerou o perfil da base acionária (+50 mil pessoas físicas) e foi realizada sem comprometer a base de capital do banco.

Preço

Nos preços atuais de R$20,22 , o papel negocia a múltiplos mais elevados do que em janelas anteriores. A BRBI11 está negociando próxima de ~12x P/L e ~2,7x P/VPA, acima das faixas observadas em períodos de maior desconto, quando o ativo operava mais próximo de ~1,8–2,0x P/VPA, e ~9x P/L.

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