Contexto

O Itaú entregou novamente um resultado forte no 4T25 , mantendo ROE estruturalmente acima de 20%, enquanto os demais do segmento continuam operando entre 10% e 17%. No 4T25, o ROE recorrente gerencial consolidado atingiu 24,4 %, 1,1 p.p. acima do 3T25 e 2,3 p.p. acima do 4T24, enquanto o ROE Brasil alcançou 26 e o consolidado fechou o ano em 23,4% (+1,2 p.p vs 2024). Ajustado ao mesmo nível de capital dos concorrentes (CET1 de 11,5 %), o ROE consolidado teria sido de 25,4 % e o ROE Brasil em 27,3%, evidenciando a rentabilidade estruturalmente superior do Itaú frente aos incumbentes privados. Permeando esse pano de fundo temos a agenda de transformação tecnológica (tem ido muito além de uma simples migração de plataforma tecnológica), que tem gerado melhorias sequenciais na eficiência e de NPS. Por fim, outro fator que blindou o Itaú nesses últimos anos, e que pode jogar novamente a favor num ciclo eleitoral, (de ciclo ruim de crédito) foi o i) perfil de clientes p.f e p.j mais alta renda e 2) proatividade e habilidade na antecipação do ciclo e realização dos ajustes necessários. A agenda de transformação tecnológica pode permitir que o banco passe a atuar num segmento que ficou inviabilizado pelo custo de servir (incompatível com a estrutura de custos dos incumbentes) – esse processo é longo, mas se bem sucedido, pode fazer com que o Itaú tenha precificação superior a atual (traria ou um aumento de rentabilidade ou mais crescimento ou ambos).

Crédito

Crescimento mais forte no tri, mas ainda com viés de linhas/segmentos estratégicos e melhor perfil de risco.
A carteira de crédito total atingiu R$ 1,49 tri, com alta de +6,3% QoQ e +6,0% YoY (ou +4,5% QoQ e 7,3% YoY ex-câmbio), mostrando aceleração relevante sequencial frente ao visto no 3T25;
Pessoas físicas: +3,9 % QoQ / +6,6 % YoY. Dentro dos segmentos destaque para o crédito imobiliário, que avançou 3,4 % QoQ / +12,82 % YoY, (relacionamento/estratégico), com a empresa mantendo ~50% de MS em crédito imobiliário vs players privados; O consignado avançou +4,0 % QoQ / +1,2 % YoY, com desempenho mais forte no consignado privado (crédito do trabalhador), enquanto outras carteiras seguem mais moderadas. Já o crédito pessoal recuou -1,4 % QoQ / +2,2 % YoY, refletindo maior seletividade, enquanto o cartão de crédito cresceu +8,0 % QoQ / +8,0 % YoY – impulsionado pela sazonalidade do trimestre.
Micro, pequenas e médias empresas (MPMEs): +8,8 % QoQ / +8,7 % YoY. Assim como nos trimestres anteriores, o crescimento foi concentrado nas em linhas governamentais, que avançaram ~+10 % no tri, especialmente em médias empresas que cresceu 12%, devido a maior demanda, e 6,4% em pequenas empresas.
Grandes empresas ex-câmbio: +3,6% % QoQ / +7,3 % YoY. Um crescimento que chama atenção, sobretudo dado um cenário de mercado de capitais ativo.
Na carteira América Latina ex-câmbio, observamos crescimento de de 3,0 % QoQ, e de 4,6% YoY, perdendo espaço na carteira total.
Para 2026: guidance prevê ampliação de ~1p.p versus o de 2025, basicamente em função de melhores variáveis macros, mas também com vetor negativo de incerteza eleitoral. O crescimento previsto é de 5,5%~9,5% sem concentração evidente em linhas especificas.

Spreads e margem: em tendência crescente. A margem financeira com clientes somou R$ 30,9 bi, alta de 8,6 % YoY e 1,5 % QoQ.
A NIM Brasil recuou marginalmente para 9,7 %, efeito dado um mix maior de produtos com mais garantias e/ou de menor risco (tanto em PF quanto PJ), mas segue em patamar elevado, enquanto a NIM ajustada ao risco atingiu 6,6 % (-0,1p.p vs 3T25; + 0,3p.p vs 4T24).
Margem com o mercado: R$ 0,6 bi (+5,2 % QoQ / -14,6 % YoY) em função do aumento do custo do hedge do índice de capital que já tinha sido observado no 3T (diferencial de juros). Apesar disso, o desempenho é notavelmente superior vs pares, que estão com ~0 ou valores negativos dado a alta da SELIC. Este resultado é um pouco mais imprevisível, contudo o Itaú tem conseguido entregar consistência e alcançando o guidance já revisado.

Inadimplência: Indicadores excelentes/saudáveis. indicador de 15–90 dias ficou em 1,6% (-0,3 p.p. T/T; +0p.p A/A). A queda trimestral decorre em função da cessão de carteira problemática em grandes empresas.
A inadimplência >90 dias seguiu estável em 1,9% (+0,0 p.p T/T; −0,1 p.p. A/A). Caso não houvesse a cessão de carteira, esse número seria ~0,2p.p maior.
A carteira Estágio 3 e 2 (Res. 4.966) apresentaram leve redução, atingindo respectivamente 3,9% (-0,3p.p vs 3T25) e 4,0% (-0,1p.p vs 3T25).

Custo de crédito

Somou R$ 9,4 bi, alta de 2,8 % QoQ e 8,7 % YoY, fechado o ano com esse indicador em 2,6 % da carteira.
A cobertura estágio 3 está em 54,7% (-1,2p.p T/T; -0,3p.p A/A), também função da cessão de créditos – caso que tinha provisão superior ao restante dos créditos.
Receitas de serviços e seguros: totalizaram R$ 15,6 bi, crescendo 5,9 % QoQ e 9,1 % YoY. Esse desempenho foi impulsionado por: i) assessoria econômico-financeira e corretagem, com +17,1 % QoQ / +27,7 % YoY, refletindo maior atividade em mercado de capitais e renda fixa; ii) administração de recursos, com +14,2 % QoQ / +17,6 % YoY, beneficiada por performance fees e maior saldo administrado; e iii) pagamentos e recebimentos (adquirência), com +5,3 % QoQ / +8,5 % YoY, acompanhando maior volume transacionado.
Por outro lado, alguns vetores pesaram negativamente: i) conta corrente PF, com -2,9 % QoQ / -19,7 % YoY, movimento estrutural dentro da estratégia de relacionamento.; e ii) operações de crédito e garantias prestadas, com -0,2 % QoQ / -17,5 % YoY. No geral, o crescimento foi qualitativamente positivo, cumprindo o guidance de crescimento anual de serviços entre 4,0–7,0 % definido para o ano.

Despesas não decorrentes de juros

Totalizaram no 4T25 R$ 17,3 bi, +1,0% QoQ / +3,7% YoY e R$ 66,8 bi em 2025, +7,5% vs 2024. O crescimento das despesas abaixo da receita levou a mais um ganho de eficiência, alcançando 38,9% no trimestre (36,9% Brasil); no acumulado de 12 meses, 39,3% (38,8% Brasil), ambos com melhora numa janela anual.
O crescimento segue concentrada principalmente em pessoal (efeitos de reajuste salarial e dinâmica de remuneração variável) e tecnologia, refletindo maiores gastos com desenvolvimento de sistemas e modernização de arquitetura. O Itaú segue otimizando a rede física e estrutura de atendimento, reforçando a tese de queda estrutural de custo de servir ao longo do tempo, mesmo com aumento de investimento em tecnologia.
Pela primeira vez, o banco abriu a evolução (em base 100) dos seus custos da operação “escalável” (ou massificada), que tiveram melhoria de ~6% nos últimos 2 anos. Adicionalmente, observamos recordes de NPS em quase todos os canais/segmentos.

Lucro Líquido

No 4T25, o lucro recorrente gerencial atingiu R$ 12,3 bi, aumento de 3,7 % QoQ e 13,2 % YoY, mantendo a trajetória consistente de crescimento sequencial e anual.

Capital e impostos

O CET1 atingiu 12,3 %, queda de 120 bps QoQ e de 140 bps YoY, permanecendo dentro do nível considerado adequado pelo banco (12,0–12,5 %). O movimento no trimestre refletiu forte distribuição de capital, com pagamento relevante de dividendos e JCP e cancelamento de ações, parcialmente compensado pela geração orgânica de resultado.

Dividendos

No 4T25, o Itaú aprovou distribuição de aproximadamente R$ 23,4 bi em dividendos e JCP, com pagamento relevante no período e complemento via JCP a ser pago no início de 2026.
No acumulado do ano, o total distribuído soma R$ 33,7 bi, o que equivale a ~7% de dividend yield no preço atual. Tal nível de distribuição só é possível por um crescimento mais contido da carteira ao longo de 25, que, ao menos por enquanto, segue como perspectiva para 2026.

Preço
ITUB3 e ITUB4 estão transacionando com 10,0x P/L e ~10,8x respectivamente.
Na ótica book o mesmo ticker está a 2,34x e ~2,51x BV.
O nível de resultados atual, embora seja muito forte, já não é mais compatível com a precificação e com o custo de capital atual. Dito isso, o banco precisa continuar sendo bem sucedido nos seus planos de aumento de eficiência e na retomada do segmento de massificado. Neste cenário, aliado a uma queda dos juros longo, poderia fazer o banco ser transacionado a múltiplos mais próximos de 3x BV.

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