Definitivamente, essa empresa não se tornou alvo da maior parte dos investidores. Com alta oscilação nas últimas semanas, o valor do papel tem sido afetado por notícias menos relevantes para seu resultado. Como, de fato, avaliar a Taurus Armas atualmente?

Breve Histórico:

Com 80 anos de história, recentemente a empresa sediada em São Leopoldo – RS enfrentava sérias dificuldades financeiras, com queda de receitas e margens. Em 2015, a Taurus foi adquirida pela CBC – Companhia Brasileira de Cartuchos. A partir daí, houve uma verdadeira revolução: foco em armas (alienação de ativos não estratégicos), renegociação de dívida bancária (alongamento e redução de juros), fortalecimento de processos produtivos (melhoria de qualidade e redução de custos) e renovação do seu portfólio.

Momento Atual e Estratégia:

Ao contrário do que muitos pensam, a Taurus depende muito mais do mercado externo (especialmente EUA) do que do Brasil. No último trimestre, as receitas do mercado interno representaram apenas 18,4% do total. Neste contexto, notícias locais, tais como disputas judiciais com a Polícia de São Paulo, vertente ideológica do Presidente Bolsonaro ou mudanças nas leis de porte e posse de armas, apesar de representarem forte correlação com as cotações do papel, são menos relevantes do que indicadores internacionais – por exemplo o fato de que a Taurus alcançou recorde na venda de armas nos EUA.

O foco da Taurus se encontra na expansão de suas exportações, que já conta com mais de 100 países.

A empresa possui 2 unidades produtivas:

Unidade São Leopoldo – RS: capacidade de 1 milhão de armas / ano.

Unidade Geórgia – USA: capacidade de 0,8 milhão de armas / ano. Trata-se de uma nova fábrica, ainda em período de desenvolvimento (rump-up), montada por meio de incentivos do governo local pelo valor de U$ 42 milhões (acima de R$ 200 milhões pelo câmbio atual).

Além disso, foi anunciado uma Joint Venture para uma nova unidade produtiva e comercial na Índia, entre a Taurus e a Jindal Group, importante empresa local. Prevista para entrar em operação nos próximos 6 meses, a Taurus contará com 49% de participação da unidade, ao passo que o parceiro local ficará responsável pela maior parte do investimento necessário para implementação.

A inovação também vem sendo uma das marcas registradas da nova gestão: 53% das vendas realizadas no primeiro trimestre do ano vieram de novos produtos.

Taurus em Números (últimos 12 meses):

Valor de Mercado: R$ 546 milhões (TASA4 como referência)

Receita: R$ 1,046 bilhões

Lucro Bruto: R$ 351 milhões (margem de 33,6%)

EBITDA: R$ 131,8 milhões (margem 12,6%) – EV/EBITDA = 13,7

Lucro (prejuízo) Líquido: R$ – 117,7 milhões

Dívida Líquida: R$ 998,1 milhões.

Sobre a Dívida: da sua dívida total, 76% é de Longo Prazo e, predominantemente, indexada ao dólar. Em relação à sua dívida de curto prazo, R$ 160 milhões podem ser rolados sem maiores dificuldades, de acordo com a própria companhia.

Sobre o Prejuízo: apesar da sua geração de caixa estar positiva e ser crescente nos últimos trimestres, a alta do dólar gera efeito contábil negativo, acarretando em expressiva despesa financeira. Só no primeiro trimestre do ano, a variação cambial sobre a dívida foi de R$ 195,4 milhões. Detalhe: a dívida, em dólar, foi reduzida em quase U$ 20 milhões no último trimestre.

Perspectivas Futuras:

Entendemos que essa seja a parte mais relevante a se discutir: o que devemos esperar da Taurus daqui para frente. Então, vamos lá:

Na próxima semana, a empresa deverá reportar seus resultados do 2º trimestre. Alguns pontos importantes sobre o que esperar:

  1. Como o dólar para fins de cálculo da dívida subiu cerca de 5% no período, a despesa financeira cambial ainda deverá trazer efeito próximo a R$ 45 milhões (consideramos nessa conta o dólar de fechamento entre trimestres).
  2. Para fins de faturamento, por sua vez, vale a cotação média do dólar no período, que apresentou evolução de 21%, impactando diretamente o faturamento da empresa, bem como incrementando as suas margens (maioria das despesas em reais). Tendo como base a receita do primeiro trimestre, a receita incremental poderia ser próxima a R$ 50 milhões.

3. O setor de armas nos EUA (principal mercado da Taurus), apresentou recordo histórico de vendas no semestre, o que deve ter favorecido nas vendas da empresa no trimestre.

4. Em Maio, a companhia anunciou memorando de entendimento (MoU) para potencial Joint Venture com importante fabricante do setor automotivo brasileiro, para fabricação de acessórios de armas leves para os mercados nacional e internacional.

E a dívida elevada? Ela é preocupante?

Sem dúvida! O endividamento próximo a R$ 1 bilhão é o principal motivo de preocupação para potenciais investidores. Por isso, fomos entender a estratégia da empresa para atuar na sua redução e entendemos que existem 3 estratégias em andamento:

  • Venda de Ativos não estratégicos: a companhia pretende alienar terrenos e uma operação de fabricação de capacetes. O valor desses ativos no balanço é de R$ 118 milhões, com R$ 25 milhões de passivos.
  • Geração própria de caixa: sem fornecer Guidance (estimativa), a Taurus é forte geradora de caixa. Seu EBITDA atual dos últimos 12 meses é de R$ 132 milhões e vem crescendo de forma consistente.
  • Subscrições: há 3 séries de emissão em andamento: TASA13, TASA15 e TASA17. Caso exercidas, valores acima de R$ 200 milhões entrariam no caixa da companhia.

Outro fator importante é que a dívida da empresa está indexada primordialmente ao dólar. Porém, na teoria, existe um hedge natural, já que a maior parte das suas receitas também são na mesma moeda. Mesmo assim, esse é o ponto para seguir acompanhando nos próximos resultados.

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NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA

Sobre o Autor: Victor Kietzmann Junior é Economista formado pela FEA e atua individualmente há mais de 20 anos no mercado de ações.

1 COMENTÁRIO

  1. Eu ficaria muito feliz se a Forja Taurus do (brasil) fechasse as portas, pois faz porcarias para o meu PAÍS e vende os mesmos produtos só que melhores para os outros países, a Taurus que não é do BRASIL, nunca chegará aos pés de uma PIETRO BERETTA, nem Colt, nem Smith Wersson, eu se pudesse fecharia essa fábrica de aborrecimentos! FALO ISSO COM ódio é conhecimento de causa!

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