Após um passado marcado por dificuldades no ciclo Dilma e pelo êxodo de players do Sudeste, a empresa ressurgiu via IPO (2020), consolidando-se como a maior incorporadora e uma das poucas atuantes no segmento de alto/altíssimo padrão no Nordeste. A companhia tem se beneficiado de um mercado desassistido, com baixo estoque, demanda reprimida e poucos concorrentes estruturados. A Moura tem capturado esse vácuo com lançamentos crescentes, forte VSO e pipeline de projetos emblemáticos. Além disso, está expandindo sua operação de média renda — beneficiada pela ampliação do programa MCMV (em especial com a criação da Faixa 4, que abrange 60% da Mood) — e iniciando sua atuação no MCMV3. A entrada em segmentos que utilizam o associativo deve ajudar a companhia a manter seu perfil mais asset light à medida que cresce.

Quanto aos resultados, a empresa vem surpreendendo o mercado trimestre após trimestre, com forte expansão de rentabilidade, lançamentos e todos os demais indicadores operacionais. Tais resultados têm sido obtidos mesmo com a distribuição de dividendos (4% de yield LTM) e a manutenção da alavancagem controlada (13% DL/PL).

Lançamentos: VGV Líquido de R$ 1,34 bi no 3T25 (+21,9% A/A; -28,1% T/T), com 5 projetos lançados, todos no modelo de condomínio. No YTD (até novembro de 2025), os lançamentos acumulam R$ 4,3 bi em VGV Líquido, superando a meta revisada de R$ 4,0 bi+. O trimestre foi 100% concentrado em produtos do tipo condomínio/alto padrão/beach/comercial, com destaque para Elleve (PE), MD Corporate (PE), Beach Class Novo Cais (PE), Beach Class Natal (RN) e Infinity Fortaleza (CE).

Vendas: A companhia entregou mais um trimestre forte, com Vendas e Adesões Líquidas de ~R$ 1,07 bi (+6,6% A/A; -10,1% T/T), mesmo após uma base muito forte no 2T.
A VSO trimestral foi de 25,7% (vs. 29,9% no 2T25 e 31,9% no 3T24), enquanto a VSO dos lançamentos atingiu ~52% no trimestre e ~59% no LTM — patamares ainda muito elevados. As vendas seguem majoritariamente no modelo de condomínio (cerca de 2/3 do volume), com incorporação/Mood representando a maior parte do restante e uma pequena fatia de vendas fechadas — combinação que sustenta margens elevadas e baixo consumo de caixa.
No trimestre, a companhia também passou a divulgar a VSO da Mood, que atinge surpreendentes 62% no LTM, reforçando a atratividade e o sucesso da operação.

Estoques: O estoque total atingiu ~R$ 3,17 bi, com estoque pronto ainda bastante enxuto, na casa de 4,5% do total (~R$ 140 mi), o que indica baixo risco de encalhe e boa liquidez dos produtos no portfólio.
A relação estoque/vendas (meses de oferta) gira em ~11 meses — um pouco acima do 2T25 (efeito do forte volume de lançamentos), mas ainda confortável, especialmente dado o ritmo de VSO. O mix segue deslocado para unidades em construção/lançamento, coerente com o ciclo atual de expansão.

Canteiros/Engenharia: Ao fim do 3T25, a companhia operava 60 projetos em andamento (vs. 61 no 2T25), mantendo o patamar recorde, mas ainda abaixo da capacidade máxima indicada pelo management. Até o fim de 2025, a perspectiva é de entrega de 8 projetos, o que pode ajudar a aliviar o stress nos canteiros. Segundo a administração, todos os empreendimentos com parede de concreto seguem dentro do prazo e do custo. Já as unidades de altíssimo padrão (via condomínio) tiveram um alongamento do prazo de obras de 36 para 40 meses em alguns casos, bem como revisão de custos. Neste tipo de empreendimento, não há multas por atraso (como ocorre na incorporação), e os custos são repassados aos condôminos, que compreendem a origem do problema (mão de obra).

Por fim, ao longo do 3T25 foi anunciada a JV com a Direcional para operar o MCMV faixa 3 no Nordeste. Tal associação reduz largamente os riscos embutidos para a Moura e representa um ganha-ganha entre as empresas. Essa evolução foi de grande importância para o tema de engenharia.

Receita líquida: R$ 548 milhões no 3T25 (+9,3% A/A; -17,5% T/T). A queda em relação ao trimestre anterior reflete, em grande parte, a base excepcionalmente forte do 2T25, marcada pelo reconhecimento significativo de “torna” de terrenos (Cais Avenida) adquiridos à vista, o que inflou a receita, mas pressionou as margens. Ainda assim, a performance do trimestre é muito forte, com os 9M25 já somando R$ 1,65 bi (+37% A/A) e Receita Líquida UDM de ~R$ 2,0 bi, on track para atingir 2,2~2,3bi em 2025.
Vale ressaltar que a companhia tem lançado volumes superiores a R$ 4 bi/ano (e pretende manter esse patamar), enquanto sua receita representa ~50% desse valor. Com o tempo, a receita tende a convergir para o nível dos lançamentos (com os descontos pertinentes no modelo de condomínio). Nesse sentido, a administração entende que R$ 3,5 bi de receita seja algo factível para um horizonte de médio prazo.

Margem bruta: Acima do esperado, reflexo da forte presença de projetos com terrenos adquiridos via permutas e no modelo de condomínio, o que levou a uma margem de ~50% nesse segmento (vs. 35,0% no 2T25 e 37,8% no 3T24). No lado da incorporação, a margem foi basicamente estável em relação ao trimestre anterior, com 30,2% (vs. 30,4% no 2T25 e 27,0% no 3T24), mas com incremento de 0,9 p.p. na margem bruta ajustada (excluindo custos financeiros), atingindo 34,3% (vs. 33,4% no 2T25 e 29,8% no 3T24).
No consolidado, a margem atingiu 41,3% (43% na ajustada), frente a 33,3% no 2T25 e 33,1% no 3T24. Tal desempenho reflete o mix de projetos no trimestre, bem como o aumento sequencial das margens na incorporação, impulsionado pela Mood e pela eliminação de safras antigas da DRE.

Despesas: O G&A totalizou R$ 35,7 mi (+41% A/A; +15% T/T), equivalente a 6,5% da receita líquida (vs. 4,7% no 2T25 e 5,0% no 3T24). Em termos absolutos, o nível de G&A veio em linha, refletindo o reforço estrutural de equipe (especialmente em Mood/Ún1ca).
As despesas comerciais somaram R$ 66,0 mi (+40% A/A; +20% T/T), ou cerca de 5,8% das Vendas Brutas (abaixo da viabilidade), porém acima dos ~4,3% do 2T25 (ponto fora da curva).
Outras receitas/despesas operacionais ficaram negativas em R$ 8,4 mi, sem efeitos relevantes de reavaliação de glebas, ao contrário do 2T25, quando a companhia registrou cerca de R$ 8,5 mi positivos nessa linha.

Lucro líquido, margens e rentabilidade: O lucro líquido totalizou R$ 117,6 mi (+32% A/A; -2,3% T/T), com margem líquida de 21,4% (+3,3 p.p. T/T; +3,7 p.p. A/A). Diferente do 2T25, quase não houve impacto de não recorrentes positivos, o que torna a qualidade do resultado ainda melhor. Em base UDM, o lucro líquido chegou a R$ 353 mi, com margem líquida de 18,7% e ROAE de 21,0%.
Entendemos que, em 2025, a Moura deve atingir ~R$ 400 mi de lucro líquido, com potencial para surpreender marginalmente esse número.

Alavancagem e dividendos: A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 246 mi, com DL/PL de 13,6% (vs. 10,7% no 2T25 e 6,0% no 3T24), ainda em patamar extremamente confortável, especialmente considerando o ritmo de lançamentos, o aumento de estoques em construção e a distribuição de dividendos. A estrutura de capital segue permitindo à companhia acelerar o crescimento sem estressar o balanço, dado o uso intensivo de permutas no landbank.

O dividend yield tem diminuído pela valorização da ação e se encontra em ~4%. A perspectiva é que não haja alteração relevante nessa distribuição em 2025, podendo, em 2026, caminhar para ~6% de dividend yield e ~8% em 2027.

Preço: A empresa negocia a 7,3x P/L LTM, ~6,5x P/L 2025e e 5,5x P/L 2026e. Como pode ser observado, é esperada uma grande diluição de múltiplos ao longo dos próximos anos, que deve ocorrer com a estabilização do nível de lançamentos em patamar próximo ao atual e a maturação dos projetos. Além disso, há um upside risk relevante via operação da Un1ca, considerando a ambição das duas empresas na JV e o histórico de sucesso de um dos sócios (Direcional) nesse modelo.

Outros temas: Durante a teleconferência de resultados, a gestão comentou sobre as perspectivas para 2026. Entre os temas abordados, reforçaram a meta de lançamentos de ~R$ 4 bi para 2026, sendo esse volume alcançado via ~R$ 2 bi em condomínios (com espaço para surpresa positiva), ~R$ 1 bi via Mood (ou um pouco abaixo) e ~R$ 1 bi via Un1ca (também com potencial de surpresa). Chamou a atenção, especialmente, a animação da companhia quanto às expectativas da Un1ca, indicando que o mercado pode ser surpreendido em um espaço relativamente curto de tempo e destacando o caráter transformacional que essa operação pode ter para a Moura.

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