Histórico de 30 anos de compounding de ~20% ao ano, exposição à espinha dorsal da economia global e posição estratégica no AI build-out sustentam a tese para a holding de US$ 1 trilhão em ativos.
Brookfield Corporation (NYSE: BN) é um conglomerado global de origem canadense e o dono de uma das maiores gestoras de ativos alternativos do mundo, a Brookfield Asset Management (BAM), com mais de US$ 1 trilhão em ativos sob gestão totais. A companhia atua em três grandes frentes: gestão de ativos alternativos para terceiros, investimento direto e operação de empresas e ativos nos segmentos de infraestrutura, energia renovável, real estate e private equity (“Operating Businesses”), e o segmento de Insurance (Brookfield Wealth Solutions). Fundada há mais de 100 anos — com raízes no Brasil através da antiga Brascan — a Brookfield evoluiu de uma holding de infraestrutura para um dos principais players globais de real assets. Sob a liderança de Bruce Flatt desde os anos 2000, consolidou um modelo de negócios que combina a estabilidade de ativos físicos essenciais com a escalabilidade de uma plataforma global de gestão de recursos. A Brookfield se destaca por combinar escala global com uma cultura de dono-operador. A Brookfield Asset Management, plataforma de gestão de recursos alternativos do grupo, produz margens elevadas e conta com uma significativa porção de seus ativos sob gestão contratualmente comprometidos para o longo prazo, o que reduz volatilidade e potencializa a geração contínua de valor. O ecossistema da companhia é difícil de replicar: presença em dezenas de países, relacionamento profundo com governos e grandes investidores institucionais e histórico consistente de melhoria operacional dos ativos adquiridos. Um diferencial importante é o foco em ativos que compõem o backbone da economia global — energia, transmissão, data centers, torres, ferrovias, logística e infraestrutura crítica. Essa especialização em ativos essenciais, intensivos em capital e de ciclo longo, posiciona a Brookfield de forma estratégica no AI build-out, já que a expansão global de capacidade energética, cooling, terrenos e conectividade depende diretamente dos tipos de ativos que a empresa opera há décadas.
Ao longo das últimas décadas, a Brookfield converteu essas vantagens competitivas em um histórico robusto de criação de valor. A companhia estima que o valor intrínseco (“plan value”) por ação cresceu cerca de 20% ao ano ao longo dos últimos 20 anos, impulsionado pela expansão contínua da plataforma de gestão, pela consolidação de negócios operacionais e por retornos atraentes em projetos de infraestrutura e energia. O desempenho ao acionista confirma essa trajetória: o TSR (Total Shareholder Return) da Brookfield figura entre os mais altos do setor global de real assets nesse período, evidenciando a capacidade da empresa de compor valor por múltiplos ciclos econômicos e geográficos. Para os próximos anos, a administração projeta continuidade nessa expansão, com planos de dobrar a base de capital da gestora para US$ 2 trilhões até o final da década, ampliar de forma relevante o negócio de seguros (de ~US$ 140bn hoje para ~US$350bn) — que fornece “float”, ou capital de baixo custo, para a gestora — e destravar o estoque acumulado de “carried interest” nos fundos de private equity, infraestrutura, energia renovável, real estate e crédito. Com esses vetores combinados, o lucro por ação (distributable earnings, “DE”) de BN tem potencial de dobrar em cerca de cinco anos, mesmo sob premissas conservadoras.

Sob a ótica de valuation, a Brookfield é considerada uma das principais compounders da bolsa americana e atualmente negocia com um desconto relevante, próximo de 40%, em relação ao seu valor justo estimado (“plan value”). Essa configuração oferece duas fontes claras de geração de retorno para o investidor:
(1) A continuidade do compounding estrutural do valor intrínseco, impulsionado pelo crescimento do lucro distribuível (DE); e
(2) O possível fechamento — mesmo que parcial — do amplo desconto entre o preço de mercado e o valor econômico da empresa.
Assim, BN oferece exposição a uma plataforma global de real assets e seguros, com histórico comprovado de excelência em alocação de capital e posicionamento central na maior onda de investimentos em infraestrutura das últimas décadas, acelerada pela revolução da inteligência artificial, ao mesmo tempo em que permanece negociada a um preço altamente atrativo.
Atualização dos Resultados do 3T25
A Brookfield apresentou um terceiro trimestre extremamente ativo, com desempenho financeiro sólido e avanços estratégicos relevantes que reforçam sua posição como uma das principais plataformas globais de real assets. Entre os destaques, a companhia anunciou o acordo para aquisição da participação remanescente na Oaktree, fortalecendo sua presença no crescente mercado de crédito privado e visando acelerar a alavancagem operacional da gestora; firmou uma parceria transformacional com o governo dos EUA para desenvolver US$ 80 bilhões em novas usinas nucleares; e expandiu a atuação do segmento de seguros com o anúncio da entrada no mercado Britânico através da aquisição da seguradora Just Group e seu primeiro acordo de resseguro no Japão. A Brookfield também aprofundou sua presença no ciclo de investimentos em IA por meio de parcerias como o aporte de US$ 500 milhões na Figure (robótica humanoide) e o acordo com a Bloom Energy para instalar até 1 GW de geração de energia dedicada ao build-out de IA em escala global. Esses movimentos reforçam a estratégia da companhia de investir na “espinha dorsal” da economia real, capturando oportunidades estruturais de longo prazo.

No negócio de gestão de ativos, a Brookfield registrou o melhor trimestre de captação orgânica desde o IPO da BAM, levantando US$ 30 bilhões em novos fundos, incluindo o encerramento da captação do maior fundo privado do mundo dedicado à transição energética (US$ 20 bilhões). Paralelamente, a empresa continua se beneficiando de um ambiente mais construtivo para transações, somando US$ 69 bilhões de equity em investimentos executados e US$ 46 bilhões de equity em monetizações no acumulado dos últimos 12 meses. No Investor Day, a gestão reafirmou a meta de crescer o lucro distribuível incluindo carried interest e reinvestimentos em ~25% ao ano nos próximos cinco anos, impulsionada pela expansão dos negócios de segurose private credit e por um pipeline crescente de carried interest. Com fundamentos resilientes, demanda global por ativos reais e condições favoráveis para financiamento, a Brookfield segue posicionada para manter seu histórico de criação de valor de longo prazo.
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