A Intelbras atua no setor de tecnologia eletrônica e digital.  Está em crescimento, com margens resilientes, num mercado muito promissor e conta com uma gestão experiente que conhece profundamente o seu negocio. Seu IPO foi em Fev-21 mas a companhia existe há 45 anos.

A companhia  tem andado na contramão do setor de tecnologia, que devido principalmente ao cenário macroeconômico, tem vivido um período bastante difícil tanto no Brasil quanto no exterior.

Em 10-Mai-22, frente às suas comparáveis, temos o seguinte:  a Multilaser já caiu quase 50% desde o IPO, em Jul-2021.  Desde Fev-2021 (IPO da INTB3) a Positivo subiu 48% mas com muita volatilidade e, nos últimos meses, vem numa trajetória descendente.  Já a Intelbras valorizou mais de 32% desde o IPO e a sua trajetória de apreciação tem sido consistente mesmo durante os turbulentos meses de 2021 e de 2022.

Má noticia: Não é uma ação barata.  Seu índice P/Lucro está hoje em 23x, EV/Ebitda 20x, e seu P/Valor Patrimonial em 4,4x.   A liquidez media diária esta em R$ 47 milhões, portanto bastante adequada para investidor PF.

Pode-se olhar a questão da precificação interpretando que o mercado confia que a INTB vai continuar crescendo seus lucros, daí os múltiplos.

Mas fica a dúvida: Será que vale a pena comprar?  Vai depender do seu período de investimento e da sua crença de que o mercado da Intelbras seguirá crescendo e a companhia saberá aproveitar isso.  O que apresentamos abaixo parece dar suporte a esta tese.

FIANAÇAS EM ORDEM E CRESCIMENTO COM LUCRO

Hoje a empresa tem Caixa líquido (seu Caixa é maior que toda a sua Dívida Bruta) de R$ 248 milhões.  Tem um crescimento composto médio anual de receitas (CAGR) de 37% nos últimos 5 anos.  E Retorno Sobre o Capital Investido (ROIC) de 19%.  

Hoje a situação financeira é, e vem sendo ao longo do tempo, equilibrada, estável e segura.  Ao mesmo tempo vem entregando crescimento com margens boas e consistentes.  É uma tese de investimento para quem busca baixa preocupação e regularidade.  Um pouco na linha da também catarinense WEG (WEGE3) que está sempre “cara” mas sempre entregando valor e dividendos ao acionista.

ATUALIZAÇÕES A PARTIR DO WEBCAST 1T22

O ano começou com estoques elevados porem dentro dos níveis planejados (compras estratégicas em vista dos problemas de suprimento) comprados com USD alto.  No final do trimestre “já se normalizando” com os novos embarques já comprados com o USD bem mais baixo.

ROIC maior nos próximos trimestres:  A significativa queda do ROIC no 1T22 (foi de 20,6% enquanto no 1T21 havia sido 39,1%) deveu-se fortemente ao investimento em Estoque.  Deverá voltar para faixa de 25% a 30% em 2022.  Já no 2T e no 3T esperam uma robusta geração de caixa com a redução de estoque planejada.  A operação de painéis solares, uma “avenida” que deverá ser reforçada, não consome K de Giro porque em geral são financiadas e o pagamento é recebido a vista.

Crescimento de vendas esperado de 20% no ano: Em Abr-22 as vendas foram muito boas com crescimento anual acima da média histórica de 20%.  Nos  1T22/1T21 o aumento foi de 24,2%.

Margens maiores em 2022 – Quando as vendas crescem é necessário aumentar a base operacional. Nos últimos trimestres investimentos substanciais foram feitos na estrutura (o que gerou pressão também nas Despesas) principalmente em vendas pois a sua venda é muito técnica.  O crescimento de receitas esperado para 2022 (pelo menos 20% aa) não demandará investimentos significativos.  Portanto a tendência das margens é de melhora.

Aquisição da empresa de painéis solares Renovigi em Abr-22.  Comprada por R$ 344 milhões a empresa faturou R$ 799 milhões no ano passado obtendo um Ebitda de R$ 50 milhões (margem de 6,3%).  A Intelbras, além de expandir as receitas, acredita, com as sinergias, conseguir levar esta margem para 11%.

Ambiente competitivo de painel solares:  no começo de 2022 houve uma aquisição exagerada de componentes e uma consequente guerra de preços.  Muitas empresas não vão suportar essa pressão competitiva.  A Intelbras se planejou para esse mercado (incluindo a compra acima) tendo em vista essa competição.  As suas vantagens principais são custo de capital, corpo técnico de vendas e pos-venda “afiado” e a capacidade de poder escolher as vendas mais técnicas com margens melhores.

Em 3 a 4 anos o 5G deverá representar 25% dos contratos de Telecom.  Vão começar os testes com os clientes e produção de alguns pilotos.  Há muita cotação sendo feita não só para o Brasil como para Latam.  A companhia está muito bem posicionada tecnologicamente.  A receita não será significativa em 2022. Começará a pegar tração em 2023. 

Sazonalidade:  Em geral (últimos 10 anos) sempre as vendas do Q1 são menores que Q4. Com as férias há uma postergação das decisões de investimentos e de despesas pelos clientes.  O 1S representa 44 a 48% das receitas. 

Exportação e eventuais aquisições na Latam:  já exportam para Uruguai, Argentina, Equador e Colômbia. Acreditam que precisam operar nos mercados externos.  É estratégico operar lá porque evita o desenvolvimento de potenciais concorrentes.  M&As podem acontecer também fora do Brasil.

O NEGÓCIO DA INTELBRÁS

Produtos e soluções em segurança eletrônica, controles de acesso, redes, comunicação, energia e energia solar, que se integram e se completam.  Eles atendem os setores empresarial, residencial e condominial com equipamentos e softwares necessários para o monitoramento, armazenamento e gerenciamento de dados, desde câmeras de vídeos, alarmes, fechaduras, roteadores, telefones corporativos e rádio comunicadores até baterias, cabos e painéis de energia solar.

A companhia se divide em 3 segmentos:

Segurança – 54% da Receita no 1T22

Comunicação – 23% da Receita no 1T22

Energia – 24% da Receita no 1T22

Tem unidades em São José (SC), Santa Rita do Sapucaí (MG), Manaus (AM) e Jaboatão dos Guararapes (PE).  Possui um centro de pesquisa e inovação, um dos maiores da América Latina.

No Brasil, a empresa está em mais de 150 mil pontos de venda de varejo e revendedores corporativos.  Além disso, também exporta para a América Latina, com uma estrutura de apoio comercial, trade marketing e pós-venda.

Sócio chinês – A holding Dahua Europe BV (participa do acordo de acionsitas) tem 10% do capital da Intelbras.  A chinesa Dahua Technology é líder mundial em soluções e serviços de AIoT (Artificial Inteligence of Things) baseados em vídeo e análise de imagens.  É listada na Bolsa de Valores de Shenzhen (SZSE: 002236) desde Mai-2008.

Em 2020, a empresa obteve uma receita operacional de US$ 4 bilhões, e ao longo de seus 20 anos de existência vem dedicando 10% de sua receita em Pesquisa & Desenvolvimento, num total de US$ 460 milhões no último ano.  Mais da metade de seus 16.000 funcionários estão envolvidos em P&D no mundo.  Com 200 escritórios na Ásia, bem como 56 subsidiárias e escritórios de representação cobrindo a Ásia-Pacífico, América do Norte, América Latina, Europa e África

Aquisição da Renovigi – Com sinergias e racionalização a margem Ebitda pode subir 470 bps

Em 29-Abr-22  a empresa firmou o acordo de compra de 100% das ações da Renovigi Energia Solar, adquirida por R$ 334 milhões.  Isso a posiciona no negócio de comercialização de geradores de energia solar, voltados à geração distribuída, principalmente nos telhados das empresas e residências. 

A Renovigi é uma fabricante de geradores fotovoltaicos fundada em 2012 e tem mais de 1,5 milhão de painéis solares instalados.  A Renovigi faturou R$ 799  milhões em 2021 (praticamente 25% da receita anual da Intelbras) e obteve um EBITDA de R$ 50 milhões (margem de 6,3%). A empresa é sediada em Chapecó  (SC).

O resultado trimestral do 2º tri da Intelbrás, já incorporará as operações de maio e junho da Renovigi.  A meta da Intelbras é acelerar o crescimento das empresas combinadas em 2022 para um patamar acima de R$ 2 bilhões no segmento solar (a soma das 2 empresas hoje seria uma receita de R$ 1,7 bi aproximadamente) e retornar a margem Ebitda da Renovigi para um nível histórico próximo a 11%.

Já em Abr-21 a Intelbras havia comprado 75% da catarinense Khomp,por R$ 90 milhões de reais. Seus produtos são equipamentos de telefonia e comunicação baseados em Internet Protocol (IP) e se destinam a condomínios residenciais, casas de campo, Operadoras de Telecom, Contac Centers escritórios, Provedores de Serviços de Internet (ISP), etc.

INDICADORES

O crescimento e as margens, na base anual, se mantem numa boa evolução a despeito do mercado difícil.  A queda entre o 4T21 e o 1T22 é explicada pelo de que historicamente o primeiro trimestre tem o menor volume de receita.

A redução da margem Ebitda deveu-se principalmente ao fato de que no mesmo período do ano anterior as restrições sanitárias reduziram fortemente o fomento e a manutenção do relacionamento comercial com parceiros revendedores e distribuidores.  A retomada das atividades normais no trouxe o retorno aos níveis de despesas com vendas mais alinhados com a operação comercial da companhia

Lucro Líquido

O lucro líquido foi de R$98,6 milhões (margem de 11,4% ).  Além claro do Lucro Operacional, a variação cambial teve uma importante influência sobre o  LL. A apreciação do Real frente ao Dolar no  período levou a empresa a “ajustar”  a política de hedge no 1T22. 

De um lado o MTM dos derivativos cambiais (sem efeito caixa) gerou uma perda no resultado que foi compensada por contar a pagar (em USD) que não foram travadas o que gerou um ganho.  A companhia vai acompanhar as oscilações até que seja identificado um “patamar de estabilidade” para retomar os hedges normalmente. 

Vemos aqui um risco financeiro pois os mecanismos de hedge servem justamente para mitigar o risco de quando e para onde o cambio vai oscilar.

Endividamento e Liquidez

A empresa segue reduzindo seu endividamento bruto e detinha no final do trimestre uma posição de caixa liquida de R$ 248 milhões. Alem disso o seu índice de liquidez corrente era de confortáveis 2,7x.

Conclusão:  A Intelbras tem uma marca forte no seu mercado, muita clareza na sua estratégia de crescimento com manutenção de margens e opera em mercados com boas perspectivas (Segurança eletrônica, Comunicação Digital e Energia Solar). 

Sua situação financeira é confortável e com ampla margem para captar empréstimos sem estressar a sua alavancagem.  O mercado percebe tudo isso e a precifica num nível que mostra confiança na sua capacidade de crescer lucros e portanto a geração de valor. 

É uma tese de longo prazo com riscos bastante aceitáveis.

NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA

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Sobre o Autor: Claudio R. Cusin é Engenheiro Mecânico formado pela Poli (USP) e Economista formado pela FEA (USP). É atualmente consultor de finanças tendo trabalhado no mercado financeiro por 30 anos. Foi Diretor de Credito e de Risco em vários bancos de investimento e comerciais. Email: claudio@smallcaps.com.br

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