Com a divulgação dos números de 2019 a empresa realizou um call com investidores e analistas em 19-Março.

Efeitos da Crise do Coronavirus: 

  • Difíceis de mensurar por enquanto, mas é certo haver impactos nas receitas 
  • A Mills criou um Comitê de Crise para monitorar diariamente os eventos
  • Preço no Aluguel de plataformas aéreas:   Se houver um retorno mais rápido do mercado à normalidade, não esperam uma guerra de preços no setor, pois está mais maduro. Uma demora no retorno do mercado pode trazer problemas
  • Obras de Infraestrutura:  Nas obras em andamento não houve paralisações, se houver paralisação os problemas serão relevantes.  As novas obras estão sendo adiadas
  • Aquisição de equipamentos foram adiados/suspensos

Tópicos gerais:

  • A despesa de Perdas de Credito Esperadas (PCE), em Dez-19, subiu para R$ 13,4 milhoes (+ 189% sobre R$ 4,6 milhoes em 2018). A empresa argumenta que a base de 2018 estava pontualmente mais baixa que nível histórico e que, devido à incorporação da Solaris, houve falhas nos sistemas e processos que acarretaram atraso nos recebimentos, que hoje ja estão regularizados.  É provável que o valor “normalizado” de PCE seja de aproximadamente R$ 7,80 milhoes em Dez-19.
  • O CFO está de saída e a empresa no processo de entrevistas com os candidatos.  A epidemia está dificultando o processo de “searching”

O NEGÓCIO DA MILLS

  1. Aluguel e venda de equipamentos motorizados de acesso, como plataformas aéreas e manipuladores telescópicos, que são utilizadas para elevar trabalhadores e cargas em alturas atendendo setores como construção civil, indústria, varejo e logístico

2. Planejamento, projeto, supervisão técnica no fornecimento de estruturas temporárias para construção civil ( residencial, comercial e industrial ), tais como formas para concreto, escoramento e andaimes. Também presta serviços especializados de engenharia para projetos de infraestrutura

COMPRA DA SOLARIS

Em 2013, a Mills chegou a ter quase R$ 1 bilhão de faturamento, cerca de 70% em contratos de prestação de serviços de engenharia e de equipamentos com grandes construtoras, que foram fortemente afetadas pela crise econômica dos anos seguintes.  Já a Solaris se apoiava em locação de equipamentos mais diversificados como plataformas aéreas, geradores, compressores e torres de iluminação.  Em Maio-2019 a Mills adquiriu a Solaris visando diversificação de mercados e de clientes.  A aquisição foi paga com ações da Mills aos acionistas da Solaris.

A incorporação da Solaris foi bastante benéfica para a Mills.  A Solaris era muito menos alavancada no setor de construção, de grandes construtoras.  Da companhia resultante  80% do faturamento passou a ser proveniente do negócio de ‘Rental’ (locação) de plataformas áreas, geradores, compressores, etc.  O setor Rental tem dependência muito menor do setor de construção, diversificando as receitas em vários outros setores. Os restantes 20% estão do setor de infraestrutura (construção).

Abaixo um resumo com as principais métricas financeiras da companhia:

Receitas e as margens tiveram uma evolução extremamente positiva, mostrando o acerto da compra da Solaris.   A empresa ainda não finalizou a completa integração e, portanto, mais eficiência pode ser extraída.

A DRE e a geração de caixa, agora com o advento da pandemia, deixam de ser uma boa base para se avaliar o desempenho futuro da Mills.  Receitas podem cair, preços e custos podem ser renegociados e os índices de inadimplência podem subir. O que se pode extrair de relevante é que as receitas estavam subindo e a empresa fazia bem o dever de casa na redução de custos e despesas. Com essa tendencia positiva possivelmente o 1T20 iria mostrar Lucro Liquido e uma maior geração de caixa.

A situação das contas patrimoniais está confortável:  a empresa tem uma boa liquidez de balanço – 1,8 x de Liquidez Corrente e um Caixa de R$ 125 milhões.  É bom lembrar que a liquidez do balanço depende qualidade dos recebíveis da Mills, para os quais é razoável se esperar uma piora em na inadimplência por conta da retração econômica.

O endividamento se encontra “negativo”: há mais Caixa que Dívida Financeira.  Isto é uma excelente situação para se enfrentar os desafios de 2020, contudo R$ 91,5 milhões da Divida, vencerão R$ 84,0 milhões em 2020.

Evidentemente não é possível fazer qualquer projeção de perspectivas para a Mills no ano de 2020.  Mas a empresa está bem posicionada para as turbulências:  nível de liquidez do seu balanço, posição de caixa liquida, diversificação de fontes de receitas  e está finalizando processo integração as duas empresas com a captura de mais sinergias.

Nota:  Este post foi elaborado a partir de informações obtidas da central de download da área de RI da MILLS.

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NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA

Sobre o Autor: Claudio R. Cusin é Engenheiro Mecânico formado pela Poli (USP) e Economista formado pela FEA (USP). É atualmente consultor de finanças tendo trabalhado no mercado financeiro por 30 anos. Foi Diretor de Credito e de Risco em vários bancos de investimento e comerciais.

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