No primeiro balanço completo após a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, uma coisa ficou evidente: entre tantas marcas, uma está puxando o crescimento — e levando o grupo para fora do Brasil, que é a Farm Rio.
O que começou em um estande na Babilônia Feira Hype virou um fenómeno global. Em 2025, a marca fechou o ano com receita recorde de R$ 3,4 bi. Mais impressionante que o tamanho é a origem desse crescimento: cerca de 30% já vem de fora do país.
A expansão internacional ganhou força de vez. Novas lojas em Dubai, México e Argentina mostram que o “lifestyle carioca” está a funcionar lá fora. Em Buenos Aires, por exemplo, a loja inaugurada em dezembro já virou a campeã de vendas da rede no mês. Agora, o plano é claro: tratar a Farm como uma operação única, sem separar Brasil e exterior — uma estratégia para ganhar escala global de verdade.
Enquanto isso, dentro de casa, foco na disciplina.

Se a Farm acelera o crescimento, o grupo trabalha para garantir que isso vire retorno. Em 2025, a receita bruta consolidada chegou a R$ 14,7 bi (+7,8% ano contra ano), com destaque para o sell-out, que seguiu resiliente mesmo em um cenário mais difícil para o consumo.
O lema foi direto: “Cash is King” e Funcionou: No 4T25, a companhia registou uma conversão de caixa impressionante de 197%, gerando R$ 838 milhões em caixa operacional — o melhor resultado desde a fusão. Isso permitiu reduzir a alavancagem para 1,28x (Dívida Líquida/EBITDA), mesmo após o pagamento de R$ 500 milhões em dividendos. Sem esse pagamento, a alavancagem teria caído para patamares abaixo de 1x (0,98x).
Os números do trimestre:
EBITDA recorrente: R$ 501 milhões, Margem líquida: 5,1% (+1 p.p.)
Ciclo financeiro: caiu 13 dias (96 dias no total), impulsionado por uma gestão de inventários mais eficiente.
Nem tudo são flores:
A Vans segue pressionada, com queda de 14,8% no trimestre. O recuo reflete a desaceleração global do segmento de sneakers vulcanizados e uma migração do consumidor para modelos mais athleisure (calçado desportivo casual).
Já a Hering ainda está em turnaround. A limpeza de inventários antigos pesou na margem bruta, mas sinais de recuperação real começam a aparecer — como o crescimento de 40% na categoria de Jeans nas últimas semanas, um dos pilares da nova estratégia em Blumenau.

O que esperar de 2026?
O tom da administração é de foco total na execução e simplificação. Segundo Alexandre Birman, março já começou muito forte, especialmente para a Arezzo, que abriu o ano com uma campanha global estrelada por Sarah Jessica Parker, gerando tração imediata nas vendas.
Com o caixa reforçado, inventários saneados e a integração das unidades de negócio avançada, o grupo entra em 2026 com o desafio de transformar essa escala em algo que o mercado de Small Caps adora: retorno consistente sobre o capital investido (ROIC).
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NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA












