Desde 2019 o BTG seguiu um movimento muito claro, que o tirou de um nicho de banco de atacado para um banco completo. O grande passo dessa transformação foi o desenvolvimento de um canal de distribuição de varejo, modelo semelhante a XP. Com isso, o BTG consegue alimentar todo o seu ecossistema de assessoria (Wealth/varejo alta renda), gestora, IB, mesas e crédito. Esse ecossistema é ainda amplificado por uma cultura corporativa forte e com grande ambição, transformando o banco numa máquina de gerar e fazer negócios.
Hoje o BTG colhe os frutos de todos esses investimentos feitos, sendo possível observar via o forte crescimento de LL dos últimos 5 anos em ~25% a.a. Ao mesmo tempo, também é possível observar novas sementes sendo plantadas, a fim de continuar entregando crescimento para a próxima década.
Receita Consolidada: Atingiu R$ 8,81 bilhões, com forte crescimento (+6% t/t; +37% a/a) e disperso por todas as 6 linhas de receita.
Investment Banking: ROL R$ 643 milhões (−18% t/t; +69% a/a). Apesar de abaixo do 2T25, esse patamar é um dos mais altos do histórico dessa unidade de negócio. Quando comparado com pares, o resultado é ainda mais positivo.
O que tem drivado tal desempenho é DCM, que atingiu nível recorde de receita, ao passo que observamos retração de outros competidores. O mercado sinaliza que os fees de DCM tem sido comprimidos, mesmo com um maior número de transações. Esse efeito passa quase que imperceptível no caso do BTG.
Além de DCM, o management indica uma atividade forte de M&A e liderança em ECM num ambiente ainda restritivo.
Sales & Trading: ROL de R$ 1,94 bilhão (+1% t/t; +16% a/a). No tri o banco conseguiu ampliar a receita que já partia de uma base extremamente alta (R$ 1,91 bilhão no 2T25). Esse resultado pode ser explicado por uma conjunção de fatores/ações, que vamos destacar a seguir:
i) Atividade de clientes/ecossistema maior
ii) Novas verticais de negócio
iii) Maior alocação de capital (Var 2T25 em 0,22% PL -> 3T25 0,30%), embora ainda em níveis abaixo do histórico.
O BTG ao longo dos trimestres apresentou uma resiliência de receita de S&T muito maior que o esperado (especialmente ao olhar uma média de 12 meses), o que corrobora com a visão de ser um business cada vez mais transacional/recorrente.
Asset Management: A soma do AuM e AuD atingiu R$ 1,15 trilhão (+ 5,6% t/t; 18,8% a/a). Esse crescimento foi disperso tanto na gestão (essa concentrada em renda fixa), quanto na administração de fundos. Tal volume foi impulsionado pela rentabilidade dos ativos e pelo NNM, que atingiu R$ 33,5 bilhões (o maior nível dos últimos 12 meses).
A receita, por sua vez, atingiu R$ 747 milhões (+20% t/t; +23% a/a). Tal desempenho acompanha a evolução dos ativos sob gestão, além de contar com os dividendos de assets da qual o banco tem participação minoritária.
Wealth: WuM em R$ 1,13 trilhão (+7,5% t/t ; 32,5% a/a ), fruto de um dos maiores NNM históricos, alcançando de R$ 49,2 bi no trimestre (orgânico ~R$ 31 bi). O restante da variação é explicado pela valorização dos ativos. O desempenho do BTG chama a atenção, especialmente comparado a outros pares especializados, evidenciando o contínuo ganho de market share e os benefícios de ser um banco completo.
A receita alcançou R$ 1.36 trilhão (+10% t/t; +36% a/a), em linha com o avanço do WuM.
Corporate Lending: A carteira total atingiu R$ 246,9 bilhões (+3,8% t/t e +17,4% a/a); em PMEs o crescimento foi mais moderado (+13% a/a), mas a plataforma SME segue evoluindo com maior número de soluções.
No 3T25 tivemos com a adição do “BTG Pay” – plataforma de pagamentos do banco, iniciando via adquirência.
A carteira permanece extremamente saudável, com estágio 2+3 alcançando somente 3,5%.
A receita atingiu R$ 2.15 bilhões no trimestre, apresentando crescimento acima da evolução da carteira (+2% t/t; +26% a/a).
Participations: Receita de R$ 325 milhões (+17% t/t; +49% a/a), menos material para o consolidado. O resultado é uma função do desempenho da Too Seguros, do Banco Pan e o portfólio de crédito adquirido do banco PAN. Quase todas essas linhas demonstram expansão versus últimos trimestres. No 3T25, assim como no 2T25, não observamos a aquisição de carteira do PAN pelo BTG, o que acarreta no não ajuste contábil (negativo) presenciado no 1T25 e tris mais antigos.
Interest & Others: R$ 1,64 bilhão (+22% t/t; +93% a/a) efeito do empilhamento de capital e do aumento da SELIC.
Despesas & eficiência: R$ 3,37 bilhões no trimestre (+3% t/t; +30% a/a), apresentando crescimento inferior ao das receitas consolidadas, o que levou o BTG ao seu melhor patamar de índice de eficiência :34,1% (-1,5p.p vs 2T25; -2,3 p.p vs 3T24). O aumento de eficiência ocorre ao mesmo tempo que o BTG mantem seu índice de remuneração constante, em 20~21%.
A gestão destaca que essa alavancagem operacional é fruto da captura dos investimentos feitos em 2019~2022 (curva J). O banco entende que deve continuar crescendo e capturando tais benefícios ao longo dos próximos tris, ao mesmo tempo que contínua investindo para manter um elevado nível de crescimento (médio/longo prazo).
As despesas que mais crescem são de amortização de ágio (não operacional com + 45% a/a); despesas tributárias (+47% a/a) e bônus (+33% a/a). Salários e demais administrativas crescem na casa de 25~18%.
Lucro Líquido Ajustado e Rentabilidade: R$ 4,54 bilhões no trimestre. (+9% t/t; +42% a/a), função do forte crescimento e do maior nível de alavancagem operacional (partindo de uma base de comparação já elevada). O BTG deve continuar entregando um crescimento superior a duplo dígito, mas a base de comparação é extremamente desafiadora, bem como as incertezas para 2026 continuam grandes.
O ROAE ajustado, por sua vez, também foi muito forte (novamente), alcançando 28,1% (+1,0 p.p. t/t; +4,3 p.p a/a). Assim como no lucro líquido, é difícil pensar numa expansão adicional de rentabilidade, ao menos no CP. Quanto a 2026, temos a expectativa de um ano de grande incerteza, com definições na arena política. Além do pontuado, dado o grande market share que o banco detém em algumas atividades, se torna difícil destoar largamente do crescimento do mercado (em IB, por exemplo).
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