A empresa Rota Verde Goiás passou a administrar as rodovias BR-060 e BR-452 por 30 anos, período em que serão investidos aproximadamente R$ 7 bilhões em obras de ampliação e melhoria dos serviços operacionais. A Rota Verde Goiás é uma concessionária formada por um consórcio liderado pela Azevedo & Travassos, por meio do fundo Aviva, gerido pela 4i Capital.

Recentemente, a Azevedo & Travassos passou por uma reestruturação societária significativa, incorporando ativos da REAG Investimentos, incluindo a MKS Soluções Integradas e a Congem Investimentos, o que fortaleceu sua capacidade financeira e operacional. Com essa estrutura, a empresa está posicionada para cumprir os investimentos previstos na Rota Verde.

A concessão compreende um total de 426,2 km em Goiás e engloba os trechos das rodovias BR-060 e BR-452 que cortam a capital Goiânia, Rio Verde e Itumbiara, um trajeto essencial ao escoamento do agronegócio, principalmente soja e milho, e da indústria. Um terminal ferroviário da RUMO nas proximidades de Rio Verde valoriza ainda mais o negócio.

Assim, cabe questionar:

– Quais serão os benefícios esperados para a Azevedo & Travassos?

– Qual é a importância das duas rodovias nos cenários logístico e econômico brasileiro, principalmente com relação ao Agronegócio?

Respondendo à primeira pergunta, a concessão representa uma oportunidade estratégica de longo prazo, com diversos benefícios potenciais em termos de previsibilidade de receitas e lucros robustos, diversificação do portfólio, valorização de ativos, vitrine operacional, geração de novos negócios no setor, constituição de uma subsidiária especializada, atração de parceiros e investidores, e impulso na imagem institucional da empresa, tudo com consequências diretas em seu valuation.

1. Receita Estável e de Longo Prazo

– Pedágios: a principal fonte de receita será a cobrança de pedágio dos usuários em sete praças. Como é um contrato de 30 anos, garante um fluxo de caixa previsível e recorrente. Somente com o item “Pedágios” será possível obter um Receita Bruta de mais de R$ 14 bilhões e uma Receita Líquida de quase R$ 13 bilhões no período, o que poderá ser maximizado por uma gestão criteriosa e eficaz. (Fonte: https://l.muz.kr/bsF)

– Crescimento progressivo: com o aumento esperado no tráfego ao longo dos anos, a receita tenderá a crescer, especialmente com o desenvolvimento econômico previsto para a região.

Somente com o item “Pedágios” será possível obter um Receita Bruta de mais de mais de R$ 14 bilhões e uma Receita Líquida de quase R$ 13 bilhões no período, o que poderá ser maximizado por uma gestão criteriosa e eficaz.

2. Receitas Complementares, desde que permitidas no contrato

– Serviços operacionais: a empresa poderá também faturar com serviços, como atendimento ao usuário, pátios de descanso, publicidade ao longo da rodovia, bases de apoio, postos de serviços diversos, entre outros.

– Exploração comercial: será possível explorar áreas para instalação de postos, restaurantes, lanchonetes ou outros serviços terceirizados.

– Serviços adicionais pagos: como pesagem de caminhões, atendimento diferenciado a veículos de carga e outros, também poderão ser considerados.

3. Valorização de Ativos

Concessões de infraestrutura são consideradas ativos valiosos, pois podem:

– Atrair investidores;

– Ser utilizadas como garantia para financiamentos;

4. Melhoria nos Resultados Consolidados

A concessão, primeira da empresa nesse setor, irá inaugurar a receita de concessões no balanço da Azevedo & Travassos, diversificando o portfólio e reduzindo a dependência de obras pontuais de engenharia.

A previsibilidade da receita melhora a visibilidade para investidores e deverá impactar positivamente o valuation da empresa.

5. Economias de Escala e Sinergias

Se o grupo vier a atuar em outras concessões, pode haver redução de custos operacionais com uso compartilhado de equipes, tecnologia e know-how. Como a A&T já atua no setor de infraestrutura viária, poderá também se beneficiar com tal uso.

Riscos que podem impactar os lucros:

Como em todo negócio, sempre há riscos. No caso, a necessidade de investimento elevado nos primeiros anos exigirá uma gestão eficaz, com um controle cerrado de custos e uma administração criteriosa dos recursos disponibilizados pelo grupo controlador.

Incertezas regulatórias, revisões tarifárias e queda no volume de tráfego (por crises econômicas ou mudanças logísticas), embora pouco prováveis, devem estar previstas no planejamento de contigências da empresa, antecipando as medidas necessárias.

Polo Agroindustrial

Rodovias BR-060 e BR-452

Com relação à segunda questão levantada no início do artigo, cabe então analisar brevemente a situação e o cenário em que as duas rodovias estão inseridas.

As rodovias BR-060 e BR-452 são rotas rodoviárias vitais dos pontos de vista logístico e econômico, principalmente porque desempenham papel estratégico no escoamento da produção agropecuária e industrial da região Centro-Oeste e parte do Sudeste do Brasil. Abaixo estão os principais motivos da relevância de cada uma:

BR-060

Trecho principal: liga Brasília (DF) a Bela Vista (MS), passando por Goiânia (GO) e Campo Grande (MS).

BR-060

Importância logística e econômica:

– Conexão entre centros produtores e consumidores: liga o Distrito Federal e o estado de Goiás, ambos com forte produção agropecuária, ao Mato Grosso do Sul e ao Paraguai (via Bela Vista) e à Bolívia.

– Escoamento da produção agrícola: é um corredor de exportação usado para o transporte de grãos como soja, milho e algodão, além de carnes e outros produtos agroindustriais do Centro-Oeste para o Sul e Sudeste, e também para o Paraguai e Bolívia.

– Integração com outras rodovias: conecta-se a outras vias estratégicas, como a BR-153 (Rodovia Transbrasiliana), BR-163 e BR-262, formando corredores logísticos importantes, e faz parte da futura Rota Bioceânica, um projeto que visa conectar o Brasil ao Pacífico via Paraguai, Argentina e Chile.

– Infraestrutura: partes da BR-060 são duplicadas, o que melhora a fluidez do tráfego e reduz custos logísticos.

Fluxos de consumo interno e de exportação a partir da Região Centro-Oeste

BR-452

Trecho principal: corta o estado de Goiás, ligando Itumbiara (no entroncamento com a BR-060) a Rio Verde (onde se encontra com a BR-153), duas cidades com forte presença agrícola e agroindustrial.

Importância logística e econômica:

– Polo agrícola: a BR-452 atravessa uma das regiões mais produtivas do Brasil em termos de grãos e pecuária, conhecida como parte do “celeiro do País”.

– Acesso a polos de armazenagem e exportação: conecta produtores a armazéns, indústrias e terminais ferroviários que levam a carga aos portos do Sudeste.

– Integração regional: serve de elo entre municípios goianos que concentram cooperativas, tradings agrícolas e frigoríficos, facilitando o transporte de insumos e produtos.

– Rota logística alternativa à BR-364: ajudando a aliviar o tráfego de caminhões e facilitando o transporte das safras.

BR-060 e BR-452

Importância combinada

Ambas as rodovias integram o sistema logístico geral do MATOPIBA (região Centro-Nordeste: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e do Centro-Oeste, regiões que concentram grande parte da produção agrícola brasileira, sendo fundamentais para o escoamento eficiente, redução de custos logísticos e competitividade no comércio exterior.

Economia de custos, escoamento e integração

Em síntese, as duas rodovias são vitais para o agronegócio brasileiro, facilitando o transporte de grandes volumes de produção, com impacto direto nos custos e na competitividade do setor, além de promoverem o desenvolvimento regional, integrando áreas produtoras aos mercados nacional e internacional.

Destaques da Rota Verde

Conclusões

A Rota Verde Goiás tem uma importância estratégica significativa por ser a primeira concessão rodoviária da empresa Azevedo & Travassos, tradicionalmente conhecida por atuar nos setores de infraestrutura pesada, óleo e gás e engenharia civil. A entrada no setor de concessões rodoviárias representa um marco de diversificação e expansão estratégica, haja vista que proporciona:

1. Diversificação de portfólio

– Marca a entrada definitiva da Azevedo & Travassos no setor de concessões de infraestrutura, com foco em ativos de receita recorrente e de longo prazo.

– Reduz a dependência de obras contratadas, geralmente mais voláteis e ligadas a ciclos econômicos e licitações públicas.

2. Vitrine operacional e institucional

– Como primeira concessão, a Rota Verde Goiás servirá como um “cartão de visitas” para futuras licitações.

3. Operação em região de alto valor logístico

A concessão cobre trechos das BR-060 e BR-452, importantes para o escoamento da produção agrícola e industrial do Centro-Oeste. Essa localização é estratégica para atrair tráfego comercial, especialmente de veículos pesados, que são os principais pagadores de pedágio.

4. Potencial de receitas robustas

Por se tratar de um corredor logístico agroindustrial com tráfego crescente, há expectativa de fluxo também crescente e lucrativo ao longo do contrato, garantindo previsibilidade de receitas e maior facilidade de atrair financiamentos estruturados e investidores institucionais.

5. Base para crescimento no setor

Um desempenho de sucesso, tanto técnico como financeiro neste projeto, irá:

– influenciar diretamente a credibilidade da empresa junto a investidores, financiadores e governos;

– gerar novos e importantes negócios para a empresa;

– possibilitar a criação de uma futura subsidiária especializada em concessões, como outras empresas fizeram (ex: CCR, Ecorodovias);

– atrair parceiros e/ou fundos de infraestrutura, ampliando sua capacidade de investimento.

6. Reputação e ESG

Por fim, o setor de concessões exige compromissos com segurança viária, sustentabilidade e governança (ESG). Isso poderá impulsionar a imagem institucional da Azevedo & Travassos, modernizando sua percepção no mercado.

Sobre o autor: Leonardo RC Araujo é analista do Setor de Defesa e da Indústria Brasileira de Defesa, mas também é fascinado por turnarounds empresariais, como os que aconteceram na Taurus Armas, a partir de 2018, na Embraer, a partir de 2021, e que está acontecendo na Azevedo & Travassos desde o final de 2024.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal SmallCaps

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