Contexto: Itaú há vários trimestres descolou seu ROE dos demais incumbentes, entregando números consistentes acima de 20% enquanto outros trafegaram na casa dos 10%~15%. A tônica desse resultado não foi diferente. Permeando esse pano de fundo temos a agenda de transformação tecnológica (tem ido muito além de uma simples migração de plataforma tecnológica), que tem gerado melhorias sequenciais na eficiência e de NPS (+4 pontos de NPS global em 2024). Por fim, outro fator que blindou o Itaú nesses últimos anos (de ciclo ruim de crédito) foi o i) perfil de clientes p.f e p.j mais alta renda e 2) proatividade e habilidade na antecipação do ciclo e realização dos ajustes necessários. O banco está preparado em termos de carteira, cobertura, capital para conseguir navegar em 2025 independente do cenário econômico.

Crédito:
Crescimento da carteira de crédito: expansão de 4,0% QoQ e 10,2% YoY, alinhada ao guidance anual de 9,5%-12,5%. Caso considerássemos o efeito da variação cambial na carteira, teríamos um numero muito superior, de 15,5%, o que fica acima do guidance.
Carteira P.F +3,7% QoQ e + 6,9% YoY, impulsionado pela sazonalidade positiva no uso de cartões de crédito (+6,8% QoQ base total e +10,9% em Personnalite e Uniclass). Além dessa questão sazonal, tivemos crescimento em linhas mais seguras vs crédito clean, caso de imobiliário que cresce +5,6% QoQ e 11,1% YoY e Veículos com +1,8% e 9,9% nas mesmas métricas. O ano de 2024 foi marcado por um claro de-risking, com foco em clientes mais resilientes aos diferentes ciclos económicos.
Crescimento muito forte em MPE (+8,1% QoQ e 17,7% YoY), mas com efeito relevante de crescimento via linhas do FGI e Pronampe que são mais seguras (~5 p.p de crescimento no 4T24), bem como o efeito do câmbio que aumentou a carteira Middle. Grandes Empresas (muito seguro) com crescimento de 21,0% YoY (15,8% sem efeito de variação cambial) e 6,8% QoQ (4,3% sem variação cambial).

Margem Financeira com clientes: +3,7% QoQ e 8,3% Y.oY (4T24 vs 4T23). É possível notar que o crescimento da margem ficou abaixo do crescimento da carteira, o que pode ser atribuído a créditos de menor risco, bem como o lag entre crescimento da ponta da carteira vs geração de receitas (que ocorre com a carteira média). Além disso, o maior crescimento de cartão de crédito provoca um lag adicional, dado que a maioria dos créditos começa sem incidência de juros.

Margem com mercado com queda de 14,5% QoQ e alta de 7,5% YoY. Essa é uma linha mais volátil e depende de uma série de fatores, sendo o nível e volatilidade dos juros um deles. Neste caso, é esperado que essa linha sofra mais ao longo de 2025.

Inadimplência: melhora em todos segmentos e em todas geografias, tanto sobre a ótica curta (15~90 dias) quanto a longa (90dias +). Carteira total reduz inadimplência 90d em 0,2p.p vs 3T24 (-0,4p.p vs 4T23), alcançando 2,4% e queda de 0,2p.p na inadimplência curta na ótica QoQ (-0,3p.p YoY), alcançando 2,0%.

PDD/Carteira anualizada atingiu 3,7% no tri, patamar 0,1p.p superior ao 3T24 (basicamente por efeito base de um caso específico de recuperação de crédito) e queda de 0,4p.p vs 4T23. Números saudáveis frente o desempenho na inadimplência, resultando em um aumento do nível de cobertura vs 3T24. O Itaú está com ~215% de cobertura sobre sua inadimplência 90 dias, o que é confortável e deixa o banco preparado para um possível ciclo negativo em 2025.

Spreads atingiram 8,6% (queda de 0,1p.p vs 3T24 e 0,4p.p vs 4T23) para o Consolidado. Apesar de um menor spread bruto, tivemos um maior spread ajustado ao risco, que foi de 5,9% para o consolidado (+0,1p.p vs 3T24 ajustado e +0,2p.p vs 4T23) e de 6,3% para a operação Brasil (+0,0p.p vs 3T24 ajustado e +0,1p.p vs 4T23).

Serviços e seguros com crescimento de +3,9% vs 3T24 e +6,1% vs 4T23. Os destaques do ano foram o forte desempenho no resultado de seguros – linha que a companhia tinha sinalizado uma boa oportunidade para crescer e que conseguiu entregar – alta de 13,9% vs 4T23; administração financeira com captação na asset + receitas acruadas de performance, totalizando um crescimento de 18% vs 4T23 e; Assessoria Econ.Financeira (principalmente IB), com crescimento de 7,3%, puxado por um mercado pujante de DCM.

Despesas e Índice de eficiência: as despesas não decorrentes de juros apresentaram crescimento de 8,9% vs 4T23, com impacto relevante do dissidio no final do ano adicionado a investimentos contínuos em tecnologia. A faixa média do guidance para 2025 indica um crescimento na casa de 7,0%. Este nível de crescimento de despesas é considerado elevado, tendo em vista que o banco tem uma agenda de ajuste do custo de servir. Segundo o management, o ano teve três efeitos que puxaram esse número, sendo : i) maior nível de bônus, dado o bom desempenho do banco; ii) aumento do nível de provisões trabalhistas para níveis muito confortáveis (aparentemente não recorrente) e; iii) subindo o nível de investimentos em tecnologia. A perspectiva é que a mais longo prazo possamos observar melhorias mais materiais nesses indicadores, via ganhos de eficiência com desligamento de mainframes, com tecnologias mais eficientes e com o novo app “One itaú”. O índice de eficiência piorou, atingindo 40,7 p.p (+0,4p.p vs 4T23).

ROE: Atingimos ROE gerencial de 22,1% no 4T24, uma queda de 0,6p.p vs 3T24 e alta de 0,9p.p vs 4T23. Este nível de rentabilidade foi alcançado mesmo com um enorme colchão de liquidez, representado pelo core capital de 13,7%. Caso considerássemos a base de capital após a distribuição anunciada (ainda seria acima de outros incumbentes), teríamos um ROE de 23,5%.

Dividendos: Distribuição adicional de R$ 18 bilhões em dividendos e recompra de ações no trimestre, que deverão ser pagos em 03/2024,levando o payout de 2024 a 69,4%. Após essa distribuição, o Banco terá um dividend yield LTM de 6,8%~6,0% para ITUB3 e ITUB4 respectivamente. Para acionistas que comprarem as ações neste momento, é possível capturar um dividend yield de 5,1%~4,6% na distribuição do 03/2025.
Mesmo após as distribuições, é esperado que a companhia fique com um core capital de 12,3% (0,3p.p acima do que o management define como target e 0,8p.p acima do nível mínimo definido pelo C.A). Tal gordura somada a expectativa de um crescimento mais ameno em 2025, representado pelo ponto médio de crescimento da carteira de 6,5%, levaria a um novo excesso de caixa e prováveis novas distribuições/anúncios ao longo de 2025 (ou inicio de 2026).

Preço: ITUB4 e ITUB3 com respectivamente 1,65x BV e 1,46x P/BV. Dado o nível de entregas do banco, este é um nível de precificação condizente (marginalmente barato). É um dos bancos mais resilientes e tem conseguido entregar níveis adequados de dividendos.

Guidance: Para 2025, o Itaú projeta crescimento de 4,5%-8,5% na carteira de crédito e expansão de 7,5%-11,5% no NII com clientes (acima do crescimento da carteira). O custo de crédito deve permanecer sob controle, em um intervalo de R$ 34,5-38,5 bilhões, reforçando a resiliência da qualidade de ativos​.

Outros: o Itaú iniciou o seu processo de migração de clientes para o novo APP “One Itaú” e já atingiu um total de 6mm de clientes migrados. A expectativa é que em 2025 um total de 15mm de clientes sejam migrados. O management acredita que esse é um dos projetos mais transformacionais para o banco, pois irá conseguir olhar o cliente em sua completude, ter mais oportunidades de cross-sell e conseguirá trabalhar mais em ofertas hiper personalizadas. Ao longo do ano devemos ter mais novidades sobre as funcionalidades do APP e sobre os resultados que tem colhido. Até o momento, o novo app apresentou um NPS superior a 80 pontos, o que é excelente.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal SmallCaps

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