Por Leonardo RC Araujo
A Petrobras declarou, na Offshore Technology Conference (OTC 2025 – 5/8 de maio, em Houston, Texas, USA), que tem compromisso de fazer um programa de descomissionamento eficaz de 68 plataformas, com inovação, proteção ambiental e geração de valor para a sociedade. Serão duas neste ano, somando dez unidades até 2029 e, a partir desta data, mais 58. Esses números não incluem as Plataformas P-35, P-37 e P-45 (no campo de Marlim), que vão ser reformadas e reutilizadas. Essas notícias foram publicadas pelo portal Brasil Energia, em 07 e 08 de maio.
Com investimentos de US$ 9,9 bilhões previstos para descomissionamento de plataformas no período de 2025 a 2029, a companhia planeja descomissionar 10 plataformas flutuantes, sendo sete na Bacia de Campos. Além disso, a Petrobras adotou uma política de destinação verde para o descomissionamento, visando práticas sustentáveis e alinhadas às melhores práticas internacionais.
Heftos: uma sólida parceira de empresas petrolíferas
A Heftos Óleo e Gás Construções, subsidiária da Azevedo & Travassos, mantém uma relação sólida e contratos significativos com empresas petrolíferas, como a brasileira Petrobras e a empresa internacional Trident Energy, possuindo experiência consolidada em serviços offshore, incluindo manutenção, construção e montagem de plataformas de petróleo. A empresa detém o domínio de operações complexas em ambiente marítimo, o que é crítico para o descomissionamento, que envolve desmontagem, logística e gestão ambiental.
Desde 2020, a Heftos presta serviços de engenharia, construção, manutenção e integridade em plataformas operadas pela Trident Energy na Bacia de Campos, como P08, P65, PCE1 e PPM1. A última colaboração foi formalizada por meio de um Master Service Agreement (MSA) com duração de 36 meses, iniciado em julho de 2022, envolvendo cerca de 600 profissionais. Além disso, a Heftos já realizou oito paradas de produção entre 2021 e 2022, com efetivo médio de 62 profissionais por parada, e executou projetos importantes como os EPCIs EMED em Barra do Furado e Open Drain em PCE1 e P08.
Ainda sobre a Trident, esta empresa tem planos de realizar o descomissionamento de estruturas antigas, lançando uma licitação multimilionária para remover centenas de quilômetros de risers (dutos) flexíveis em águas rasas, substituindo-os por tecnologias mais modernas e eficientes.
Em janeiro de 2025, a Heftos assinou um contrato de R$ 298,3 milhões com a Petrobras para prestação de serviços de manutenção industrial integrada em plataformas offshore (marítimas) localizadas na Bacia de Campos, com prazo inicial de 36 meses, prorrogáveis por mais 24 meses.
O portal Petro Notícias noticiou recentemente a escolha das empresas que retomarão as obras no antigo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobras, agora Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí-RJ. Dentre elas, a Heftos aparece vencendo a concorrência em três lotes: EPC 3 HIDW, EPC 5 UGH e EPC 6 HDT, com um montante contratado de R$3,7 bilhões.
Isso demonstra a confiança da Petrobras e de outras petrolíferas na capacidade técnica, cumprimento de prazos e segurança operacional da empresa. Além disso, evidencia o alinhamento com a nova política da Petrobras, haja vista que esta empresa está priorizando descomissionamentos com responsabilidade ambiental e economia circular (reciclagem verde). Como a Heftos tem evidenciado seu compromisso com ESG e sustentabilidade, este fato pode pontuar favoravelmente a ela em processos seletivos.
Além disso, a empresa tem experiência comprovada em mais de 70% das plataformas offshore brasileiras, bem como em diversas refinarias e unidades onshore (terrestres), e agora e está se posicionando estrategicamente no emergente segmento de descomissionamento, haja vista as necessidades atuais da Petrobras e de outras empresas do setor.
Considerando-se o histórico da Heftos em projetos offshore, sua capacidade técnica e sua parceria com a Petrobras em diversas obras, acredita-se que a empresa esteja bem posicionada para competir por contratos relacionados à reforma e ao descomissionamento de plataformas, especialmente na Bacia de Campos. A expertise e experiência que detém em manutenção e montagem tende a ser um diferencial importante na execução de projetos que exigem conhecimento técnico específico e conformidade com práticas sustentáveis.

Especializada em engenharia industrial para o setor de óleo e gás
A Heftos Óleo & Gás Construções é uma empresa brasileira especializada em engenharia industrial para o setor de petróleo e gás, tanto em ambientes onshore quanto offshore. Desde 2021, integra o Grupo Azevedo & Travassos, ampliando a atuação deste no segmento de óleo e gás.
Além disso, a empresa também executa ampliações, reformas e manutenções de instalações industriais, conhecidas como projetos brownfield. A empresa oferece serviços como construção e montagem, integração (hook-up), gestão de ativos, manutenção e paradas programadas (turnaround).
Portanto, embora o foco principal da Heftos seja o setor de óleo e gás, a empresa também possui expertise em serviços de engenharia e montagem industrial que podem ser aplicados em diversos setores industriais.
Confira abaixo quatro itens importantes sobre a empresa:
1. Experiência e Capacidade Técnica
Com mais de 45 anos de experiência, a Heftos já participou de projetos em mais de 70% das plataformas offshore brasileiras, além de atuar em refinarias e unidades onshore. Sua experiência inclui serviços de construção, montagem, manutenção e comissionamento em ambientes offshore, o que proporciona um conhecimento profundo dos sistemas e estruturas das plataformas, essencial para operações de descomissionamento. Sua gama de serviços, inclui:
– Construção e Montagem (C&M) de instalações industriais.
– Manutenção industrial em unidades onshore e offshore.
– Gestão de ativos, abrangendo manutenção preditiva, preventiva e corretiva.
– Projetos de engenharia, desde o básico até o detalhado.
– Suprimentos (procurement) de materiais e equipamentos.
– Paradas programadas (turnarounds) com planejamento detalhado.
– Interligações (hook-up) e comissionamento de sistemas.
A empresa também se destaca por sua capacidade de rápida mobilização de mão de obra qualificada e por aplicar tecnologias inovadoras, como sistemas robotizados para jato e pintura, soldagem automática, controle dimensional com laser scan (escaneamento 3D) e plataformas elevatórias, que são fundamentais para garantir segurança e eficiência nas operações de descomissionamento.
2. Infraestrutura e Presença Nacional
A Heftos possui uma base operacional em Macaé (RJ), com 91.000 m², incluindo escritórios, fábricas e almoxarifado, estrategicamente localizada próxima ao terminal portuário da Petrobras e ao porto de Macaé.
3. Parcerias Estratégicas e Planos de Expansão
A Heftos está firmando parcerias comerciais com empresas internacionais especializadas em descomissionamento, visando formar equipes altamente qualificadas para atender à crescente demanda no Brasil. Essa estratégia visa aproveitar seu conhecimento técnico acumulado e complementá-lo com expertise internacional, criando uma oferta competitiva no mercado. Isso amplia o escopo de atuação e eleva a competitividade em licitações complexas.
Além disso, a empresa está ativamente buscando oportunidades no descomissionamento de campos maduros, tanto onshore quanto offshore, o que inclui a operação e desativação de instalações após o término de sua vida útil.
4. Perspectivas no Mercado de Descomissionamento
O mercado brasileiro de descomissionamento está em expansão, com estimativas indicando investimentos significativos nos próximos anos para a desativação de plataformas offshore, tanto da Petrobras, como da Tridente Energy e de outras empresas.
A Heftos é uma empresa com sólida experiência e infraestrutura robusta, atuando de forma integrada no setor de óleo e gás, oferecendo soluções completas em engenharia, manutenção e construção para atender às demandas do mercado brasileiro. Com sua experiência consolidada e estratégias de parcerias internacionais, está bem posicionada para atender a essa demanda crescente, oferecendo soluções completas e integradas para o descomissionamento de instalações de petróleo e gás.
Fatores de competição Em que pese possuir grandes vantagens, a Heftos concorre com empresas como Ocyan, Ecovix, Gerdau e consórcios internacionais já experientes em descomissionamento. Por isso, preço, cronograma, mitigação de riscos ambientais e capacidade logística serão diferenciais decisivos.

Uma nova Azevedo & Travassos
Em recente e interessante artigo publicado no portal Small Caps sob o título “Uma nova Heftos, uma nova Azevedo & Travassos“, o engenheiro e CEO da Lima Engenharia, Christian de Souza Lima, discorreu sobre o novo momento das duas empresas e trouxe uma importante planilha mostrando os principais projetos que estão sendo realizados pela A&T, bem como o valor de seus contratos.
O mais antigo deles, de dezembro de 2023, refere-se à construção do trecho terrestre (onshore) do gasoduto do Projeto Raia e das instalações de recebimento de gás, em Macaé (RJ), onde a Petrobras detém 30%, que está a cargo da Azevedo & Travassos Infraestrutura, em um contrato no valor de aproximadamente R$ 505 milhões.
O evento mais recente, reportado pelo portal Petro Notícias, foi a escolha das empresas que retomarão as obras no antigo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobras, agora Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí (RJ). Dentre elas, a Heftos aparece vencendo a concorrência em três lotes: EPC 3 HIDW, EPC 5 UGH e EPC 6 HDT, com um montante a ser contratado de R$ 3,7 bilhões. A empresa está aguardando a assinatura para realizar a divulgação.
Backlog bilionário
Como, ao final de 2024, a Azevedo & Travassos reportou um backlog de aproximadamente R$ 745 milhões, somente o valor da licitação vencida pela Heftos em relação ao Comperj, caso o contrato seja assinado, superará em cinco vezes tal backlog, colocando a A&T em um novo patamar, como pode ser observado na tabela abaixo.

Nota: a última linha da planilha se refere ao backlog recebido da MKS após a reestruturação societária acontecida no início deste ano
Como é possível observar, com os novos contratos somados ao backlog existente, a A&T atinge uma receita projetada de aproximadamente R$ 4,4 bilhões.
Além disso, não se pode esquecer que a Azevedo & Travassos também é majoritária no consórcio Rota Verde Goiás e passará a contar com as receitas deste a partir de 2026, quando a projeção do BNDES estima um faturamento anual inicial de aproximadamente R$ 350 milhões.
Os diversos e significativos negócios fechados pela empresa, especialmente do final de 2024 para cá, evidenciam sua mudança de posicionamento no mercado, consubstanciada por uma postura comercial agressiva e pela visão focada em resultados, marcando de forma clara o turnaround habilmente conduzido pela atual gestão.
*O autor é analista do Setor de Defesa e da Indústria Brasileira de Defesa, mas também é fascinado por turnarounds empresariais, como os que aconteceram na Taurus Armas, a partir de 2018, na Embraer, a partir de 2021, e que está acontecendo na Azevedo & Travassos desde o final de 2024.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal SmallCaps
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