Contexto e Estratégia

O Santander Brasil encerrou o 4T25 com ROAE de 17,6% (+0,02 p.p. T/T| -0,1 p.p.A/A). A estratégia continua baseada em três pilares: (i) alocação de capital disciplinada, focando linhas de maior retorno ajustado ao risco (veículos, PF alta renda e PMEs) e reduzindo exposições de menor spread como risco sacado corporativo; (ii) busca por principalidade, intensificando jornadas de pagamentos (cartões e PIX) e consórcios; (iii) transformação digital, com consolidação do One App e adoção de ferramentas de IA para reduzir custos de servir. O banco mantém a meta de atingir ROE acima de 20% “não muito distante de 2026”.

Crédito

A carteira de crédito ampliada atingiu R$ 708,2 bi (+2,8% T/T | +3,7% A/A), com crescimento puxado por linhas de maior retorno.
Os destaques positivos foram: financiamento ao consumo: R$ 93,8 bi (+5,4% T/T | +13,0% A/A) – B.U com elevados retornos, alto NPS e Cross-sell; PMEs: R$ 86,1 bi (+5,4% T/T | +12,3% A/A) – outro segmento com ROE significativamente superior a 20%; P.F que embora tenha atingido R$ 253,1 bi e crescido pouco (+1,6% T/T | -0,6% A/A), mostrou forte evolução nas linhas mais estratégicas – cartões (+9,3% T/T | +13,4% A/A) e crédito imobiliários (+2,7% T/T | +9,6% A/A) O segmento de Grande empresas segue mostrando baixo crescimento (+1,9% T/T | -1,7% A/A) em função de spreads apertados no mercado de capitais e maior disciplina pelo Santander.
A carteira alcançou R$ 133,1 bi no tri.

Margem Financeira (NII)

A margem financeira total foi de R$ 15,33bi (+0,8% T/T | -4,0% A/A), com leve crescimento trimestral, mas queda anual explicada pela tesouraria/mercado.
NII Clientes: R$ 16,82 bi (+1,6% T/T |+6,6% A/A), sustentado por maior volume e mix de funding melhor.
No 4T, após sequenciais aumentos de spread, houve leva queda, alcançando 10,67% (-0,17 p.p. T/T| +0,18 p.p.A/A) –  o banco destaca esse efeito pela menor quantidade de dias úteis, por uma carteira maior de cartão que não incorre em juros(sazonal) e um impacto maior dos efeitos das res 4.966.
NII Mercado: -R$ 1,49 bi vs -R$1,35 do 3T25 (piora de 10,3% T/T ) e R$ 0,2bi do 4T24. O número segue pressionado pela sensibilidadedo balanço aos juros, bem como no tri tivemos menores resultados com tesouraria.

Inadimplência

A inadimplência >90d avançou para 3,7%(+0,3 p.p. T/T | +0,5 p.p. A/A). Tal resultado pode ser atribuído a maior inadimplência de PF de baixa renda, das menores empresas do segmento de PME (efeito da SELIC prolongadamente alta) e de um Agro ainda passando por dificuldades. Em adição, a não alteração da política de renegociações frente a esse cenário ajuda a piorar o indicador.
Por fim, houve um crescimento também em função do menor volume de write-offs no tri. A inadimplência curta (15–90d) encerrou o trimestre em 4,0% (+0,1 p.p. T/T| +0,3 p.p. A/A), devido aos mesmos efeitos mencionados na inad >90.

Provisões (PDD)

No tri, observamos uma menor PDD, com R$ 6,11 bi (-6,4% T/T | +2,9% A/A)e 3,76% da carteira (-0,1p.p T/T |+0,3p.p A/A) , em função de provisões maiores ao longo do 1S25. Este provisionamento resulta numa cobertura pouco abaixo do NPL formation do tri (~95%) e incrementou levemente a cobertura estágio 3, de 66,2 no 3T25 ->66,4% no 4T25.


Serviços

As comissões somaram R$ 5,75 bi (+3,6%T/T | +4,3% A/A), com destaque para cartões e seguros.  Em cartões, as receitas foram R$ 1,68 bi(+7,2% T/T | +8,2% A/A), impulsionadas por maior spending médio. Caso não fossem os efeitos da 4.966, o crescimento seria maior que o apresentado no A/A. O fato da receita de serviços ter crescido acima da margem financeira e do crescimento da carteira no tri, é uma mensagem positiva, tendo em vista a agenda de maior cross-sell, produtos mais transacionais e melhores jornadas de clientes. Na visão do management, essa dinâmica de crescimento acima da carteira deve continuar para 2026.

Despesas Operacionais

As despesas gerais totalizaram R$ 6,63 bi(+3,3% T/T | -2,0% A/A) — com dado trimestral influenciado pelo efeito completo do dissídio (3 meses versus somente 1 mês do 3T25). Na ótica anual, notamos queda em níveis nominais, mesmo com os investimentos em tecnologia e correlatos, mostrando comprometimento coma agenda de eficiência. No trimestre, o banco divulgou novos dados que ajudam a dar a tônica do que tem sido feito. Em 2 anos o custo de servir do massificado caiu ~43%, enquanto o de alta renda ~20%. Outros dados que suportam tal avanço é a redução do headcount, que alcançou 49.661 (-2.086 T/T | -5.985 A/A) e de agências + PAs  1.685 (-104 T/T | -506 A/A).Para frente, é esperado que o custo de servir continue caindo, com uma redução adicional de ~30% no massificado ao longo dos próximos 2 anos. Os avanços mapeados nesse tema são a continuidade da conversão de clientes para o One App,a migração de sistemas mainframe p/ nuvem no core bancário (implementação ao longo de 2026) e outras iniciativas de eficiência. O objetivo da gestão é que a receita permaneça com crescimento 0% em termos nominais para 2026.
O índice de eficiência apresentou deterioração no tri, alcançando 38,8 p.p no 4T25 (+0,8p.p A/A | +0,8p.p A/A). Tal desempenho é função basicamente da pior margem com mercado, visto que as despesas caíram em termos nominais no ano.

Impostos

Novamente o tri apresentou baixíssimo nível de impostos, patamar inferior a 3% do EBT, assim como o observado no 3T25. Este nível não é sustentável, mas salvou o resultado do tri, gerando, no bottom line, expansão de lucro líquido.

Lucro e Rentabilidade

O Lucro líquido gerencial foi de R$ 4,1 bi (+1,9% T/T | +6,0% A/A), com ROAE 17,6% (estável T/T |-0,1p.p A/A). Apesar deste resultado, o qualitativo do lucro líquido é animador, visto o nível anormal de impostos e provisionamento abaixo do esperado. O Santander Brasil continua na busca de alcançar a rentabilidade superior a 20% e 2026 deve apresentar avanços graduais neste caminho.

Alavancagem e dividendos

Os índices de capital continuam dentro do almejado, com Basileia em 15,4%(+0,2 p.p. T/T | +1,1 p.p. A/A) e CET1 11,6% (-0,2 p.p. T/T | +0,6 p.p. A/A).No LTM, o dividend yield está na casa dos 6,1%.

Resumo e considerações finais: O resultado em si foi fraco, especialmente pelo qualitativo que compôs o bottom-line. Apesar disso, notamos avanço de iniciativas e KPIs que são essenciais para a estratégia de MP/LP do banco, como pode ser visto via o custo de servir, o aumento do NPS, o avanço na conversão e engajamento do novo app. Somado a isso, o management passa clareza do que precisa ser feito para melhorar a competitividade do Santander, bem como tem seguido um caminho aparentemente acertado.

Múltiplos e Valuation

SANB11 negocia a ~1,4xP/BV e ~8,7x P/E, níveis semelhantes ao Bradesco (1,35 P/BV e ~10x P/E). Caso a cia consiga entregar a sua ambição de MP, poderíamos observar o múltiplo de BV caminhar para algo mais próximo de 2x.

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NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA

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