O Santander Brasil segue priorizando rentabilidade e previsibilidade. O banco reportou um ROAE de 16,4% no 2T25, queda de 1,1 p.p. frente ao 1T25, mas 0,8 p.p. acima do 2T24. A estratégia continua baseada em três pilares: (i) alocação de capital disciplinada, focando linhas de maior retorno ajustado ao risco (veículos, PF alta renda e PMEs) reduzindo exposições de menor spread como risco sacado corporativo; (ii) busca por principalidade, intensificando jornadas de pagamentos: Cartões, PIX e consórcios; (iii) transformação digital, com consolidação do One App e adoção de ferramentas de IA para reduzir custos de servir. O banco mantém a meta de atingir ROE acima de 20% no médio prazo.
Crédito
A carteira de crédito ampliada totalizou R$ 675,5 bi, queda de 1,0% no T/T e crescimento de 1,5% no A/A. O recuo trimestral se deveu ao efeito pontual de redução no risco sacado (discussões sobre IOF) e variação cambial. Ao desconsiderar esses fatores, a carteira teria ficado estável.
A carteira tradicional recuou 1,2% no T/T e subiu 0,2% no A/A. Destaques positivos foram financiamento ao consumo e PMEs (via linhas com garantia governamental), enquanto PF e grandes empresas permaneceram com maiores dificuldades ou negativos.
Margem Financeira (NII)
A margem financeira total foi R$ 15,4 bi, queda de 3,3% no T/T e crescimento de 4,4% no A/A. O NII cliente atingiu R$ 16,1 bi, crescimento tanto T/T que foi de 1,9% e também no A/A que ficou em 11,3% e com spreads maiores e funding mais barato. Entretanto, o NII mercado ficou negativo em –R$ 730 milhões, revertendo R$ 97 mi no 1T25, devido à sensibilidade à Selic e ao desempenho de tesouraria que afetou negativamente. A gestão não espera reversão material deste resultado negativo até o final de 2025, dado que a Selic deve permanecer elevada e a posição de hedge continuará impactando a margem de mercado. Assim, o NII total deve continuar pressionado até que haja queda de juros.
Inadimplência e Provisões (PDD)
A inadimplência >90d recuou para 3,1% queda de 0,2 p.p. no T/T. A inadimplência curta (15–90d) caiu de 4,1% para 4,0% no trimestre; ainda assim está acima do 4T24, quando o índice estava em 3,5%. Na teleconferência do 1T25 o banco atribuiu a piora ao aumento sazonal de atrasos em crédito imobiliário. O recuo observado no 2T25 decorreu principalmente da melhora em PF (efeito da carteira imobiliária), enquanto SMEs apresentaram deterioração: o 15–90 d NPL de empresas subiu 30 b.p. T/T para 2,2%.
Apesar de uma melhora no indicador de inadimplência tradicional, que foi impulsionado por write-offs, notamos uma deterioração da carteira em estágio 3, tendo aumentando de 6,4% no 1T25 para 6,8% no 2T25. O mesmo pode ser observado no estágio 2, com evolução de 1,7% para 2,3% no mesmo corte temporal. Tais sinais indicam certa cautela, especialmente quando agrupados com uma visão de outros pares com deterioração do crédito de veículos, esse fator pode não se aplicar diretamente ao Santander, tendo em vista que ele tem o privilégio de selecionar os melhores clientes deste segmento. A PDD líquida somou R$ 6,86 bi, crescimento de 7,4% no T/T, com custo de crédito anualizado de 3,9%. A cobertura do estágio 3 caiu para 67%, enquanto a cobertura 90 dias alcançou 227% (significativamente acima dos 217% do 1T25 e do 198% do 4T24). A gestão vê o custo de risco em patamar elevado devido ao ambiente macro e ao aumento de write‑offs, mas sinaliza que novas safras mostram performance melhor.
Serviços
As receitas de serviços foram R$ 5,20 bi, crescimento de 1,3% no T/T e de 0,4% no A/A. Ajustado pela Res. 4.966, o crescimento seria ~3% A/A.
Destaques: cartões (11,7% A/A), administração de recursos/consórcios (13,5% A/A). A gestão vê cartões de alta renda, seguros ligados a crédito, consórcios e capitalização como alavancas de expansão de fees; esses segmentos já geram mais de R$ 1 bi/ano e podem dobrar nos próximos anos.
Despesas Operacionais
As despesas operacionais totalizaram R$ 6,41 bi, queda de 2,5% T/T e aumento de 1,5% A/A. O banco reduziu 1.385 funcionários e 90 agências. Essa disciplina de custos ajudou a mitigar o impacto da alta de juros sobre o resultado de tesouraria e foi decisiva para manter a lucratividade apesar do NII mercado negativo. O índice de eficiência atingiu 36,8%, melhor patamar em 3 anos.
Imposto
A alíquota efetiva de imposto ficou em cerca de 10%, resultado de receitas de renda fixa isentas e dividendos de subsidiárias. Esse nível é considerado não sustentável: historicamente o banco paga entre 17% e 23%.
Lucro e Rentabilidade
O lucro líquido gerencial foi R$ 3,66 bi, queda de 5,2% no T/T e crescimento de 9,8% no A/A. A rentabilidade (ROAE) ficou em 16,4%.
Alavancagem e Capital
Índices de capital permanecem sólidos: CET1 (Common Equity Tier 1) de 11,6% e Basileia de 15,0%. O banco distribuiu R$ 1,5 bi em JCP no trimestre, mantendo o yield na faixa de 5,5–6,0%. As captações de clientes somaram R$ 644 bi, queda de 1,2% no T/T, com maior participação de PF.
Múltiplos e Valuation
(SANB11) negocia a ~1,1× P/BV (0,9x 26E) e 7,14x P/L(5,1x 26E). Patamar atrativo de precificação, sobretudo se o Santander alcançar essa rentabilidade de médio prazo, observando as perspectivas de curto prazo, as melhorias podem não ser significativas.
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NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA












