Uma carteira de sucesso passa pela diversificação entre as ações. É nesse contexto que a Tupy, multinacional brasileira produtora de blocos e cabeçotes, passa a ser uma opção a ser considerada.

Fundada em 1938 na cidade de Joinville – SC, possui 3 parques industriais principais, sendo duas no México e uma no Brasil (há também a unidade de Mauá, mas que está sendo desativada aos poucos).

Apesar de considerada uma Small Cap, a Tupy é a líder mundial em seu segmento de atuação. Os blocos e cabeçotes produzidos são componentes de motores a combustão, ou seja, atua na parte mais importante dos veículos, mantendo relações de longo prazo com seus clientes.

Com participação de 82% de suas receitas no mercado externo, a cotação do dólar é bem relevante na sua operação. Veículos comerciais, off-roads e veículos leves, nessa ordem, são seus principais nichos de mercado.

Situação atual

A Tupy anunciou a maior receita e ebitda ajustado de sua história no último trimestre. Depreciação do real frente ao dólar e aumento de participação de produtos de maior valor agregado foram os maiores responsáveis por esse resultado. Seu endividamento está controlado, com dívida líquida de R$ 922 milhões (relação dívida líq / Ebitda 12 meses = 1,34x), tendo se mantido estável.

fonte: tupy.com.br
fonte: tupy.com.br

Como a empresa já se encontra próximo de sua capacidade máxima produtiva, tem buscado aumentar a participação de produtos usinados e CGI, que apresentam maiores margens. Atualmente, representam respectivamente 25% e 21% do volume (contra 21% e 14% no mesmo trimestre do ano anterior).

Seletiva para novas aquisições, a companhia tem optado por uma expressiva distribuição de lucros. Atualmente, possui DY de 8,4% nos últimos 12 meses, com tendência de aumentar esse percentual. Como seus investimentos tem sido inferiores à depreciação contábil, essa tendência de distribuição tende a continuar nos próximos exercícios.

Futuro

O cenário mundial no que tange aos veículos elétricos é fundamental para a Tupy. No cenário de um mundo com predominância de veículos 100% elétricos é um risco, pois seus produtos são apenas para veículos movidos por combustão ou híbridos. Porém, esse cenário é mais plausível para veículos leves, que representa menos de 15% de suas receitas. Mesmo nesse segmento, há o entendimento de que o cenário mais provável seja o de veículos híbridos e que, carros 100% elétricos, serão predominantes em regiões específicas.

Financeiramente, o foco da companhia é a elevação de margens. Além do foco nas vendas de maior valor agregado, há 3 linhas de projetos nesse sentido:

fonte: tupy.com.br

Seguem alguns comentários feitos pela diretoria na divulgação do último resultado:

“Nesse ano, conquistamos novos projetos importantes com mais CGI e iniciamos a rampa de entregas de usinagem, um total de 50 máquinas em adição às 20 que já tínhamos.”

“A gente vê o Brasil operando, ganhando eficiência gradativamente, novamente nós tivemos resultados extraordinários na operação.”

“Do ponto de vista de M&A, nós continuamos ativos em buscar operações que casem com a nossa estratégia, que sempre foi crescer aí em blocos e cabeçotes em ferro, tanto fundição quanto usinagem.”

“O México, ele, em função de toda a complexidade que foi adicionada à operação tanto do ponto de vista de CGI quanto de usinagem, ela tem uma performance de custo aquém do que nós gostaríamos, ela tem um potencial hoje para entregar muito mais margem enquanto o Brasil desempenha muito bem. Então, o nosso entendimento é que para o padrão hoje de receita, de volume que está estabelecido no México, existe um o upside grande a ser capturado nos próximos trimestres.”

Resumo:

Tupy é uma das Small Caps mais recomendadas pelos analistas. Suas principais características são: boa pagadora de dividendos e proteção contra a alta do dólar (dólar alto ajuda em seu faturamento).

Pontos de atenção:

1) participação acima de 25% do BNDES, que deverá vender suas empresas investidas, pressionando as cotações nesse cenário.

2) evolução dos veículos 100% elétricos.

NÃO SE TRATA DE RECOMENDAÇÃO DE COMPRA OU VENDA

Sobre o Autor: Victor Kietzmann Junior é Economista formado pela FEA e atua individualmente há mais de 20 anos no mercado de ações.

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